Leonie e o maçarico-de-colete

José Carlos L. Poroca
Executivo do segmento shopping centers

Publicação: 22/02/2017 03:00

A partenogênese é o termo usado para designar o desenvolvimento de um embrião sem a contribuição gênica paterna, ou seja, no processo, as fêmeas procriam sem precisar de machos que as fecundem, como acontece com abelhas, vespas e formigas. Nesse processo, se olharmos com olhares mais atentos, podemos observar que há uma certa, digamos, discriminação das abelhas contra os machos. Os ovos fertilizados tornam-se fêmeas (rainhas ou operárias) e os ovos não fertilizados se desenvolvem por partenogênese para tornarem-se machos haplóides (zangões). O zangão, que tem o único papel de reprodutor, se nasceu de forma assexuada, nasce órfão de pai e nem para reproduzir serve. Doloroso.

Outro caso: mesmo sem fertilização, Leonie, um tubarão-zebra, botou três ovos com embriões e deu à luz a três filhotes. É o primeiro caso registrado de troca natural de tipo de reprodução - de acasalamento por reprodução assexuada - envolvendo tubarões. Seguindo o estatuto do Clube da Luluzinha, uma das filhotes fêmeas de Leonie concebidas com fertilização (no tempo em que ela dividia o aquário com um macho), também botou ovo com embrião sem a convivência com um macho, ao atingir a maturidade sexual.

Fã da Natureza, vejo, com preocupação, dois lados: o bom e o ruim. O lado bom é que as fêmeas – com a sabedoria particular própria do gênero – saberão o exato momento para fecundar. Certamente analisarão o ambiente atual e futuro. O lado ruim tem estreita relação com outros componentes ligados à tradição que entendo como meio-falsa/meio-verdadeira sobre quem escolhe quem escolhe o parceiro: o macho ou a fêmea?. Quem marcou ‘macho’, errou.

Com meu espaço chegando ao fim, faço uma homenagem a duas espécies: primeiro, ao leão, que chega a copular mais de cem vezes/dia, não sei se com a mesma leoa; a outra, ao maçarico-de-colete, pequena ave (pesa cerca de 100g) que chega a voar mais de 13 mil Km para acasalar com o maior número de fêmeas. Nem sempre conseguem: a vontade é maior que a capacidade física, após longa jornada.

Por último, questiono: se um minúsculo pássaro, sem ajuda de qualquer tecnologia ou de verbas internacionais, consegue viajar 13 mil Km para morrer (força de expressão) nos braços (asas) das de sua espécie, como é que não conseguimos acabar com a fome, os vírus seculares (malária, febre amarela), o desemprego e a corrupção no Brasil? Valha-me, São Maçarico de Colete!

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