Classe política sem noção

Terezinha Nunes
Deputada estadual do PSDB e presidente do PSDB Mulher-PE

Publicação: 21/02/2017 03:00

Os movimentos que incendiaram as ruas e praças brasileiras, entre a Copa do Mundo e o Impeachment da presidente Dilma, já marcaram sua volta ao batente. Um dos mais fortes deles, o Vem pra Rua, está nas redes sociais, fixando data e hora para reiniciar a mobilização social que deu força à Lava-Jato, provocando uma varredura no maior esquema de corrupção já montando em nosso país.

A volta às ruas tem o objetivo de frear esquemas que começam a ser montados no Congresso, sobretudo, mas que espalham seus tentáculos pelo Poder Judiciário, tentando barrar a punição aos políticos mais graúdos, com ou sem mandato, fazendo valer o tradicional jeitinho brasileiro, de tirar vantagem em tudo, como falava o jogador Gerson.

O que estaria demandando tanta preocupação da sociedade? Na verdade, embora nenhuma providência ainda tenha sido tomada de forma concreta nesse sentido, é clara a falta completa de noção de muitos políticos, flagrados com a mão na massa, que continuam agindo como se nada tivesse acontecido no país de 2014 para cá.

Um deles, o senador Romero Jucá, chegou a redigir proposta ao Congresso, barrada a tempo por conta da fúria estampada nas redes sociais, isentando de culpa pelos malfeitos os presidentes da Câmara e do Senado – ambos citados em delações  da Lava Jato. A ideia era determinar, via projeto de lei, que eles só poderiam responder pelo que fizeram no mandato vigente, ou seja, poderiam ser culpados como fossem por crimes anteriores e continuariam gerindo, em suas casas, os destinos do país.

A onda de desfaçatez é enorme. Além dos presidentes da Câmara e do Senado recentemente eleitos, mesmo sob suspeição – isso jamais aconteceria em países sérios – o novo presidente da mais importante comissão do Senado, a de Constituição e Justiça – é suspeito e teve um filho levado a depor esta semana por uma nova operação da Polícia Federal.

E por essas e outras que o presidente Michel Temer atingiu na semana passada os mais baixos índices de popularidade no momento em que a economia, que tem componente explosivo na crise atual brasileira, começa a se recuperar.

O presidente, embora venha tomando as medidas corretas na área econômica e nas reformas que são fundamentais para que o país avance, tem cometido erros políticos constantes, como se estivesse alheio ao despertar da sociedade que não mais tolera coisas desse tipo.

Bem na economia e perdido na política, Temer ou abre o olho ou será terá enormes dificuldades de prosseguir.

E não é pra menos. Enquanto no Brasil quem está sendo investigado com reais indícios de malfeitos continua na alta cúpula, países menores, que tiveram políticos apenas citados nas delações da Odebrecht, já falam em prisões – inclusive de ex-presidentes – ou já despacharam a empresa de seus territórios, como aconteceu recentemente no Peru.

Às vésperas das eleições de 2018, ou a classe política brasileira acorda pra Jesus, como diz o ditado popular, ou será tragada pela fúria que tomará conta das urnas. E aí, não vai sobrar para ninguém. O leitor será implacável até com inocentes que se calaram ou fizeram cara de paisagem. Esse é o quadro que se desenha até agora. Só não vê quem não quer.

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