Cada criança curada renova a nossa esperança no futuro

Francisco Neves
Superintendente do Instituto Ronald McDonald

Publicação: 21/02/2017 03:00

Instituído em 2001 com o objetivo de reduzir o número de óbitos por câncer entre crianças e jovens em todo o mundo, o Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil é uma oportunidade para analisar os resultados das iniciativas de sucesso já desenvolvidas e para desenhar ações futuras que possam de fato mobilizar e engajar a sociedade, as empresas e os governos a superar essa que é a primeira causa de mortalidade por doença de crianças, adolescentes e jovens brasileiros na faixa etária entre 1 e 19 anos.

Quando ingressei na luta contra o câncer infantojuvenil, na década de 90, as chances de cura no país eram de apenas 15%. Hoje, com os avanços em prevenção, diagnóstico precoce, capacitação dos profissionais de saúde e tratamento adequado, o combate ao câncer infantojuvenil ganhou novas perspectivas.

Quando tratada em um serviço estruturado e com protocolos de grupos cooperativos – como, por exemplo, os da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) –, a criança e o adolescente têm cerca de 65% de chance de cura. Já as crianças e adolescentes que recebem tratamento em serviços não adequados e sem protocolos clínicos têm as chances de cura reduzidas para 30%.

Os números são frios, mas apontam de forma clara que o investimento no diagnóstico precoce, no tratamento adequado e na atenção integral à criança e ao adolescente com câncer é a estratégia mais eficaz para aumentar os atuais índices de cura. O desafio é grande, especialmente quando consideramos o universo da população infantojuvenil que sofre com o câncer: para 2017, estima-se a ocorrência de mais de 12.000 novos casos em crianças, adolescentes e jovens no Brasil.

Outro cenário que ainda precisa ser mudado para que consigamos chegar a índices favoráveis nessa luta é a percepção de que o atendimento à criança com câncer é diferente ao do adulto. As unidades precisam ser adequadas para tratar a oncologia pediátrica. O que ainda é presenciado hoje em algumas localidades são jovens sendo atendidos e tratados em centros voltados para adultos ou nos serviços de saúde suplementar, que não possuem a estrutura para tratar as especificidades do câncer infantojuvenil.

Ao avaliar e interpretar os dados estatísticos como direcionadores do que ainda é preciso ser feito e para priorizar, melhorar e intensificar esforços, é fundamental considerar todos os sentimentos de um pai e uma mãe que têm um filho diagnosticado com câncer. Por isso, além do tratamento em unidades adequadas para a oncologia pediátrica, é chave o apoio psicossocial à família que tem a criança ou o adolescente em tratamento, reduzindo o número de casos de abandono.

A partir de um diagnóstico precoce e com os tratamentos mais adequados implantados, minha crença é que as chances de cura possam ultrapassar os 80%, que mencionei. Com estratégia e investimento, é possível buscar resultados ainda melhores em curto e médio prazos. Cada criança curada renova a nossa esperança no futuro e na construção de um mundo melhor.

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