Geração 65 retorna com José Luiz Melo

Raimundo Carrero
Escritor e jornalista

Publicação: 20/02/2017 03:00

Geração 65 – liderada, no princípio, por Jaci Bezerra e Alberto Cunha Melo, com a participação, entre outros, de José LuIZ Melo e Domingos Alexandre – alimentava, nos primeiros momentos, dois sonhos: 1 – escrever grandes sonetos e publicá-los no “Jaboatão Jornal.” Foi o que me confessou, há cerca de dois anos, o poeta José Luiz Melo, durante debate no Instituto Histórico de Jaboatão.

Agora,  a Geração, que ultrapassou todos os limites do sonho, sobretudo pela qualidade dos seus poetas, retorna com a participação de um dos seus líderes, que parecia silenciado desde o princípio e sobre quem já escrevi nesta coluna: José Luiz Melo. Médico que se juntou ao poeta Dirceu Rabelo, da Academia Pernambucana de Letra, na arte do soneto para a realização de uma técnica poética que já parecia desaparecida. Dirceu é um grande sonetista.

Aliás, naquele mesmo encontro, Zé Luiz revelou-me que as fontes estéticas do movimento estavam nos poetas Raimundo Correa e Cruz e Souza, cultores do verso formal e da rima. Esta era, no começo, a base estética de tudo que escreviam para publicação “Jaboatão Jornal”, mas que ganhou foça incontrolável quando Jaci Bezerra enviou a “Coroa de Sonetos” para César Leal, neste Diario de Pernambuco, seguida do rótulo de Geração 65 dado por Tadeu Rocha, no livrinho anual sobre Pernambuco.

Zé Luiz discorda de Tadeu, sobretudo porque o grupo surgira, na verdade, a partir da reunião de estudantes políticos de Jaboatão integrantes movimento Diavirá ou Dia Virá. Se não me engano, o grupo integrava o diretório estudantil do Colégio Estadual de Jaboatão, naquele período de incrível agitação política com grande animação da esquerda no Brasil.

Além de experiências que divulga faz algum tempo, Zé Luiz retorna ao soneto, como prática diária – alguns deles serão publicados pelo suplemento literário CENAS – que publico com Luzilá Gonçalves Ferreira e Lourival Holanda – para encarte neste Diario de Pernambuco, que retoma, em sua permanente renovação, a tradição de publicar poetas e poemas. O CENAS será encartado, a partir deste mês, com homenagem aos escritores de Garanhuns.

Aqui, a primeira estrofe do Soneto Côncavo/Convexo,de José Luís Melo:” Este poema que lhe faço estando/a minha alma de joelhos, genuflexa/junto aos seus pés, assim, como rezando/numa atitude mansa, circunflexa.”

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