Apodrecimento ético

Fernando Araújo
Advogado e professor de Direito

Publicação: 18/02/2017 03:00

Nos dias que correm, muitos profissionais deixam de acreditar nas formas convencionais da ética. Buscam crescer na atividade a qualquer custo. Atuam da maneira que melhor lhes convêm. Dois exemplos são eloquentes. Primeiro, a divulgação, na internet, por médicos de um hospital de São Paulo de laudos da ex-primeira-dama do país, d. Marisa Letícia, morta recentemente. Segundo, advogados trabalhando para facções criminosas. Servindo como pombos-correios, levando e trazendo informações para dentro e fora dos presídios. Cooperando com o crescimento da bandidagem. São sinais visíveis de apodrecimento ético. O que está acontecendo? Uma simples reflexão nos diz, para logo, que falta sólida formação moral para muitos dos que estão atuando no mercado de trabalho. Aliás, é impossível tratar de temas como corrupção e má conduta sem abordar o problema do relativismo moral ou da ética da conveniência. Esses maus profissionais pensam que depois de formados viram máquinas de ganhar dinheiro, não importa como. Esquecem que a profissão, mesmo sendo exercida com o objetivo de adquirir os meios necessários ao sustento, é ordenação racional. Por isso deve se orientar por princípios, pois eles prestam serviços especializados, fundamentais à sociedade. Honrados por seu labor, percebem honorários. Na sua atividade, o advogado exerce um múnus ou encargo público ao receber do constituinte o poder de postular em juízo ou fora dele. No juramento que faz antes de ingressar nessa nobre tarefa, promete zelar pelo patrimônio moral de sua profissão; dedicar-se aos estudos e ao saber; demonstrar, na prática, que seu trabalho não é mercancia, mas prestação de serviço honrosa e honrada; ficar distante da ambição pelo lucro desmedido e demonstrar consciência da dignidade profissional. Foi pensando em estimular os advogados a perseverarem nesses valores que a OAB/PE instituiu em 1985, na gestão do presidente Fernando de Vasconcellos Coelho a Medalha Joaquim Amazonas. Como disse o então presidente naquela oportunidade, a honraria visava homenagear os advogados que possuíssem inscrição principal há mais de 50 anos ininterruptos, e que, durante esse período, tendo prestado serviços à Corporação e à causa da Justiça e do Direito, não houvesse sofrido qualquer penalidade disciplinar. Jovem advogado, assisti a Medalha ser entregue pela primeira vez a José Joaquim de Almeida, Torquato Castro, Manoel Aroucha, Murilo Guimarães, Alcindo Pedrosa, Otávio Correia de Araújo, Raimundo Dantas Carneiro, Amaro Quintas, José do Rego Maciel, Carlos José Duarte, George Latache Pimentel, Romero Cabral da Costa, José Maria Jatobá, Gilberto Osório de Andrade, Sátiro Ivo e Fernando Augusto de Mendonça. Por isso, basta! “Alegria é o que esperamos do mundo”.

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