EDITORIAL » Mudança no ensino médio

Publicação: 18/02/2017 03:00

Sancionada a reforma do ensino médio, amplia-se a carga horária, flexibilizam-se conteúdos, possibilita-se o ensino a distância para complementar a formação. Abre-se, pois, um leque de desafios que precisam ser enfrentados para ressignificar o elo mais frágil da educação básica.

O novo modelo deve entrar em vigor em 2020 - dois anos depois da aprovação da Base Nacional Curricular, cuja conclusão é prevista para 2018. Estados e municípios têm, pois, pouco mais de mil dias para preparar-se. A guinada implica preparação de professores e a oferta das áreas a serem postas à disposição dos alunos: ciências humanas, ciências da natureza, matemática, linguagens e educação profissional.

É importante deixar para trás o fracassado faz de conta que marca nosso status quo e implementar a reforma plenamente, com a seriedade e urgência que o assunto exige. Há entes federados com recursos humanos e financeiros escassos. Precisam redefinir prioridades para dar aos estudantes a igualdade de acesso. Além da base comum obrigatória (60% da carga horária), têm de oferecer as cinco áreas que compõem a grade optativa. Sem escolha, não há possibilidade de opção como prevê a lei.

Um fato é indiscutível. Impõe-se mudar o que está errado. “É insanidade”, como frisou Albert Einstein”, esperar resultados diferentes fazendo a mesma coisa.” No modelo atual, o ensino médio constitui barreira que veda a muitos o acesso à universidade e ao mercado de trabalho. Os números falam alto. Aproximadamente 1 milhão de jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola e à margem de qualquer atividade laboral. Formam o batalhão nem-nem - nem estudam, nem trabalham.

Não só. Na faixa etária de 15 a 29 anos, nada menos de 10 milhões de brasileiros engrossam as estatísticas dos desocupados, presas fáceis da violência e do crime organizado. Pior: a maior parte deles nem sequer completou o ensino fundamental. Constituem prova cabal de que algo está muito errado numa escola que não dialoga com o presente. Trata-se de duplo desperdício.

De um lado, só com a evasão escolar no ensino médio, o país joga no ralo cerca de R$ 3,7 bilhões por ano. De outro, perde geração de jovens que fazem falta numa população que envelhece sem se educar. Nosso bônus demográfico, vale lembrar, acaba até 2030. A tragédia se completa com a falta de qualidade. A maior parte dos concluentes da educação básica não tem acesso ao saber - de cada 100 alunos, só nove aprenderam o exigido em matemática e 27 em língua portuguesa.

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