O processo de sucessão nas organizações: um desafio a ser vencido

Mauricio Xavier
Consultor empresarial com mais de 15 anos de experiência, professor de MBA e pós-mestrado em Gestão Estratégica de Pessoas pela Cornell University (NY/USA)

Publicação: 17/02/2017 03:00

O processo sucessório é considerado pelos estudiosos de gestão empresarial uma das variáveis estratégicas mais desafiadoras em uma empresa familiar. Pela criticidade do tema e dos aspectos envolvidos como competências, experiência, imagem no mercado e pensamentos divergentes entre os sucessores e a administração atual, ele deve ser planejado levando em consideração as particularidades de cada grupo familiar e empresarial.

A identificação das competências da gestão atual e dos futuros sucessores deve ser a primeira variável a ser diagnosticada, além do perfil, experiências e vocação para o negócio. A partir deste diagnóstico, o processo pode ser iniciado, com a presença do fundador da empresa e com a participação ou o aval de todos os envolvidos.

É preciso que haja, durante todo o processo, um clima de diálogo para tratar dos conflitos já existentes e dos que podem surgir, considerando que o tempo da transição pode e deve demorar anos, visando o amadurecimento de ambas as partes neste novo estágio organizacional.

Os herdeiros devem ser conscientizados de que não vão herdar uma empresa, mas uma sociedade composta por pessoas que não se escolheram. A partir deste entendimento, deve-se conviver com pessoas de confiança dos fundadores, com aquelas que já possuem as competências desenvolvidas, possivelmente que vieram do mercado, que são naturalmente os escolhidos dos sucessores para as funções mais estratégicas do negócio.

O convívio nestes dois mundos deve ser encarado como um processo em continua transformação dentro da organização. Assim, é preciso separar claramente os conceitos de família, propriedade e empresa. Durante todo o processo, deve haver um clima de diálogo para tratar dos conflitos já existentes e dos que podem surgir. É fundamental não confundir a profissionalização da gestão com a dispensa dos gestores de confiança dos fundadores.

Para ajudar neste processo elencamos algumas dicas: O processo deve ser iniciado enquanto os fundadores ou a geração de transição ainda estão ativos no processo decisório do negócio; é fundamental que os sucessores, tenham experiências no mercado; o diagnóstico das competências essenciais ao negócio é fundamental; A formação de conselho de administração com papéis e responsabilidades bem definidas é um dos elementos chaves do sucesso; pesquisas de mercado e monitoramento da concorrência, ajuda a desenvolver competências do negócio nas novas gerações e por fim, a contratação de consultorias especializadas em diversas áreas do negócio, amadurece a visão dos sucessores, sem a interferência familiar, interessantes para ambos os lados do processo.

Iniciar este processo enquanto a organização está equilibrado no mercado, é fundamental para que a nova geração não esteja vinculadas apenas a solução de problemas, mas focada na evolução do ciclo de vida organizacional e ao processo constante de inovação e crescimento do negócio.

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