EDITORIAL » Os riscos da generalização

Publicação: 15/02/2017 03:00

Todos nós conhecemos as distorções do corporativismo.  Uma delas, talvez a maior, é a que leva à defesa cega de todos os seus integrantes, independentemente do que tenham cometido. Não importam os deslizes, as irregularidades, os equívocos - se fizer parte da corporação, o corporativismo ergue-se em sua defesa.

Mas esta prática tem o seu avesso, que é o crítica generalizada, dirigida a todos os integrantes de determinado grupo ou instituição, sem levar em conta a diferença de posturas e pensamentos de cada um deles.  Não raro aqueles que condenam o corporativismo caem na armadilha do seu avesso - e assim “todo médico”, “todo militar”, “todo jornalista”, “todo seguidor dessa ou daquela religião”, “todo empresário”, “todo adepto dessa ou daquila ideologia” são alvos de críticas generalizadas a partir de um dos seus integrantes.

No primeiro caso, toma-se o todo pela parte; no segundo, a parte pelo todo. É uma distorção que se manifesta sobretudo em períodos de radicalização, quando os “julgamentos sumários” de avaliação são cometidos sem que os seus “juízes” se esforcem para agir com critério e justiça. Todos nós sabemos que o fato de um determinado profissional cometer algo reprovável não significa que todos os profissionais da mesma “corporação” que ele fazem o mesmo - mas o fato de todos sabermos disso não impede a generalização da crítica.

Tanto no caso do corporativismo quanto no da generalização cega, o que acaba acontecendo é a entronização do fato negativo. Defende-se incondicionalmente uns, e ataca-se incondicionalmente outros. Ao fazer isso, acabamos impedindo a abertura de portas que nos permitam ver que há muita gente fazendo a diferença no seu dia a dia, na sua atuação como profissional, na sua relação com o outro.

A imprensa tem um papel fundamental nesta questão. Há quem diga que ao jornalismo cabe apenas criticar - raciocínio que, se seguido à risca, nos levaria às distorções apontadas acima. O jornalismo, na verdade, deve ser algo mais amplo. Criticar o que deve ser criticado, mas também destacar histórias e exemplos positivos, inspiradores, dignos de conhecimento. A receita serve tanto para a imprensa quanto para cada um de nós, porque a vida real não é tão simples quanto julgam o corporativismo e a generalização cega.

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