O porquê de não editar um livro

Giovanni Mastroianni
Advogado, administrador e jornalista

Publicação: 14/02/2017 03:00

Não raro sou indagado por um dos meus leitores: “por que você não edita um livro?” e, sempre, a resposta é a mesma: “sinceramente, não tenho ânimo para tal; falta-me coragem para enfrentar tanta burocracia e dificuldades para atingir esse fim”. Digo isso porque acompanho o sacrifício de alguns escritores que me escolhem para revisor de seus livros, como Darley Ferreira, André Cervinskis, Ângelo Monteiro e Giannina Almeida, entre muitos outros, que são, assim, exemplos de perseverança, em prol deles, e, paradoxalmente, de desânimo para mim. Incentivos não têm me faltado, inclusive do imortal da Academia Pernambucana de Letras José Paulo Cavalcanti Filho, autor de livros famosíssimos, entre os quais, Fernando Pessoa – o livro das citações, Fernando Pessoa, quase autobiografia, Adeus Pendorama, O mel e o fel, Tempos de aprendizagem, Informações e Poder, Aos amigos tudo e Somente a verdade, todos, inclusive, sucessos de venda.

Cheguei a ensaiar alguns artigos, muitos deles selecionados por minha filha, a médica Gianna Mastroianni Kirsztajn, que tem diversos livros de medicina editados em São Paulo. Também, poderia incluir algumas dezenas dos meus principais artigos e reportagens, publicados ao longo de meio século de atividades jornalísticas. Falta-me ousadia, todavia, para tanto, apesar de sobrar-me incentivo daqueles que, a exemplo de Luiz Maranhão Filho e Giuseppe Mastroianni, enfrentaram os ápices das dificuldades, mas levaram a cabo seus intentos e editaram autênticas biografias.

Confesso mesmo que, se algum dia, decidir publicar mesmo que sejam apenas opúsculos não o faria com a intenção de vendagem e sim de doar aos familiares e amigos que me prestigiam com a leitura de minhas modestas crônicas. Se os vendesse, pediria a ajuda de alguma entidade a quem doaria toda a renda da vendição, a exemplo do que fez, recentemente, o amigo Francisco José, repórter da Rede Globo, que ofertou todo o valor da vendagem de 40 anos no ar para a Fundação Terra.

Diz a sabedoria popular que “um homem só tem uma vida completa quando planta uma árvore, escreve um livro e tem um filho”. Dessa forma, não posso ainda considerar que minha vida está plena, pois me falta escrever um livro. Apesar dessa restrição, também não julgo estar minha vida incompleta, pois, quando partir em busca da paz celestial, terei deixado registros de minhas colaborações, na imprensa do país, quer seja no Diario de Pernambuco, no Jornal do Commercio, no Correio Braziliense, em Vanguarda ou em A Voz do Agreste. Este hebdomadário, quando, ainda, por mim gerenciado, abrigou, também, bons escritores e poetas, merecendo destaques Tabosa de Almeida, Pinto Ferreira, Augusto Lucena, Evandro Lins e Silva, Ângelo Monteiro, Luiz Torres, Azael Leitão, Darley Ferreira, Odílio Andrade, Lycio Neves, Hildeberto Arruda, Aziz Elihimas,  José Bezerra, Roberto Queiroz, Rafael Barros, Gladys Cardim e uma plêiade de outros literatos.

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