EDITORIAL » Idosos em alta

Publicação: 14/02/2017 03:00

A mudança do perfil demográfico do Brasil exige providências inadiáveis. Uma delas está em curso. É a reforma da Previdência, que leva em conta o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida. Ocorre, no país, conjugação preocupante. De um lado, cresce o segmento de idosos, que demanda políticas públicas adequadas às necessidades do grupo que avança em idade. De outro, diminui o percentual de pessoas economicamente produtivas que, por estarem no mercado, pagam os custos dos que se foram para a inatividade.

Baseado em dados da Pnad, o IBGE apresentou em dezembro de 2016 a Síntese de Indicadores Sociais. Os números preocupam. Em 2015, o Brasil tinha 204,9 milhões de habitantes, 14,3% dos quais com mais de 60 anos. Em 2005, o percentual era de 9,8%. Mantido o ritmo, projeta-se cenário pouco animador: em 24 anos, pessoas com mais de 60 anos serão 23,5% da população total. A aceleração não se observa na outra ponta. De 2005 a 2015, o percentual de crianças e jovens de até 14 anos caiu de 26,5% para 21%; o de 15 a 29 anos passou de 27,4% para 23,6%.

Envelhecer é uma das grandes conquistas da humanidade. Graças aos progressos da medicina e à melhora das condições urbanas, morre-se mais tarde. O aumento da esperança de vida significa aumento de tempo na inatividade. O ideal seria manter o equilíbrio da balança. Não é, porém, o que se observa. A maternidade está em baixa. A taxa de fecundidade é 1,77 filho por mulher. Previsão para 2030 é que o índice caia para 1,5. Segundo especialistas, a taxa está abaixo da considerada necessária para a reposição natural da população — 2,1 filhos por mulher.

Trata-se de caminho sem volta. Japão e países da União Europeia enfrentam fenômeno semelhante. Mulheres se dedicam cada vez mais à carreira e relegam a maternidade a segundo plano. Campanhas para reverter o quadro se mostraram ineficazes. Nada indica que aqui o cenário seja diferente. Talvez, apostam alguns, se o Estado oferecer condições aptas a compatibilizar os dois papéis — mãe e profissional — se obtenha algum êxito. Apesar, porém, de o problema estar batendo à porta, não se põem em prática ações nesse sentido.

Tampouco se veem políticas públicas necessárias ao atendimento de idosos para elevar-lhes a qualidade de vida e, em consequência, retardar enfermidades que sobrecarregam o sistema de saúde. A expectativa de vida do brasileiro em 2015 era de 75,5 anos (71,9 anos homens e 79,1 mulheres). Projeções para 2060: 81,2 anos (78 homens e 84,5 mulheres). A realidade impõe desafios. Há que enfrentá-los.

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