A sub-representação do Recife

Terezinha Nunes
Deputada estadual do PSDB e presidente do PSDB Mulher-PE

Publicação: 13/02/2017 03:00

Apesar de ser a menor capital brasileira em faixa territorial – tem somente 218 quilômetros quadrados – o Recife abriga 20% da população pernambucana, tendo respectivamente o mesmo percentual de eleitores – 20% - do estado.

Conhecida como berço de importantes líderes políticos, a maior parte com destaque nacional, a capital vem perdendo representatividade ano a ano na Assembléia Legislativa, onde são discutidas e votadas as leis que regem a vida dos seus cidadãos.

Com 49 deputados, a Alepe deveria abrigar hoje pelo menos 9 a 10 parlamentares eleitos na capital e, como tal, comprometidos em defender os interesses dos recifenses.

A realidade, porém, é outra. Nem mesmo o deputado estadual mais votado no Recife na última eleição – Cleiton Collins, com 61 mil votos – atingiu o quociente eleitoral exigido para garantir uma vaga na Alepe que é de 90 mil votos. Cleiton se elegeu e ajudou a eleger outros menos votados do seu partido porque teve ao todo 216 votos espalhados por vários municípios, sobretudo metropolitanos.

Nem mesmo deputados que frequentam a lista de candidatos a cargos majoritários na capital tiveram em Recife na eleição de 2014 votos suficientes para garantir suas vagas nas coligações pelas quais disputaram como foi o caso de Priscila Krause que teve 33.051 votos e Sílvio Costa Filho que conseguiu apenas 7. 196, embora tenha sido candidato a vice de João Paulo em razão da expressão política que tem na capital.

O que estaria contribuindo para essa realidade que começa a preocupar não só os políticos que residem ou são oriundos do Recife como cientistas políticos e partidos de características mais metropolitanas?

As razões principais apontadas são a proliferação de partidos que faz com que mais pessoas se candidatem, mesmo sem condições de se eleger, ajudando a pulverizar o voto e a concorrência entre esse voto pulverizado e o voto da população do interior que é concentrado nos poucos candidatos que concorrem pelos municípios interioranos.

Na capital este problema tem sido devastador. Em 2014, 840 mil recifenses votaram para deputado estadual mas dividiram seus votos entre 464 candidatos. O resultado não poderia ser outro; somente 5 candidatos tiveram acima de 30 mil votos na capital, 4 entre 20 e 22 mil e todos os demais abaixo disso.

Hoje na Alepe, enquanto o Recife não tem um deputado para chamar de seu, Petrolina e Vitória têm entre dois e três, Caruaru, Cabo, Ipojuca, Arcoverde e Araripina cada um tem dois e daí para a frente os deputados são classificados como representantes de regiões como Mata, Agreste e Sertão.

O problema do Recife também se estende aos municípios metropolitanos maiores como Jaboatão, Olinda, Paulista, etc, todos com representação mínima na Alepe.

O cientista político e economista Maurício Romão diz que se não mudarem as regras eleitorais a Alepe caminha para ser cada vez mais a casa de representação do interior.

“A eleição proporcional na Região Metropolitana é dispersa e sem foco” – afirma. Defensor do voto distrital ele acha que esse pode ser um caminho para o Recife e a RMR voltarem a ter força na Alepe.

Na verdade, o que acontece hoje, segundo ele, é que os candidatos do interior se garantem em suas bases, impedindo a penetração dos nomes metropolitanos por lá e acabam vindo completar sua eleição no Recife, uma cidade aberta e que abriga muitas colônias interioranas que, em grande parte, tendem a votar em candidatos dos municípios onde nasceram, contribuindo ainda mais para a pulverização eleitoral.

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