EDITORIAL » Otimismo com safra recorde

Publicação: 13/02/2017 03:00

O país tem muito a comemorar com a estimativa de uma safra recorde de grãos anunciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que contribuirá, e muito, para a tão esperada recuperação econômica depois de dois anos de impiedosa recessão. A expectativa é de que a colheita de grãos seja a maior da história, com significativo impacto na composição do Produto Interno Bruto (PIB) de 2017. O desempenho da agricultura certamente dará novo fôlego aos investimentos na cadeia do agronegócio, o que trará reflexos positivos na retomada do crescimento nos mais variados setores da economia.

A previsão é de que a colheita chegue a 221,4 milhões de toneladas, com aumento de 20,3% em relação à safra do ano anterior (184 milhões de toneladas), o que consolida ainda mais a posição do Brasil como um dos principais produtores mundiais. O clima favorável em 2016 contribuiu muito para o bom desempenho da agricultura, mas a preocupação dos produtores nos cuidados com as lavouras mediante investimentos em tecnologia de ponta e aumento da área plantada devem ser destacados como importantes fatores para o país alcançar a histórica cifra.

Os principais produtos da safra nacional são soja, milho e arroz, e eles representam 93,5% da produção e 87,4% da área a ser colhida. Todas as regiões do país mostraram avanços na produção no ano passado, com 25,2% no Centro-Oeste; 10% no Sudeste; 9,4% no Sul; 89% no Nordeste; e 16% no Norte. A soja continua sendo o carro-chefe do setor. A colheita deste ano está estimada em 107,039 milhões de toneladas, um aumento de 11,8% em relação a 2016.

Pela primeira vez, o Brasil ultrapassa a marca de 100 milhões de toneladas de soja. A colheita da leguminosa já começou e as expectativas estão se concretizando. Os principais estados produtores preveem crescimento expressivo. Na avaliação do analista da Coordenação de Agropecuária do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, na área plantada em Mato Grosso a produtividade tem se mostrado bastante boa. O estado lidera o ranking, com produção estimada de quase 30 milhões de toneladas, seguido do Paraná e do Rio Grande do Sul.

Outra boa notícia: se as estimativas se confirmarem, não haverá necessidade de importar, para suprir o consumo interno, arroz e feijão, o prato preferido dos brasileiros. A safra de feijão deve ser mais de 30% superior à de 2016; a de arroz, 10%. As previsões do IBGE significam alento para a economia, que começa a demonstrar sinais de recuperação. Como a retomada da indústria é mais demorada, o desempenho da agricultura e dos demais segmentos da cadeia do agronegócio deverá ter impacto direto sobre o PIB. Economistas já fazem a aposta de que a taxa de crescimento prevista, de 0,5%, deve ser revista para cima.

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