O turismo no Brasil e a reciprocidade do visto para os americanos

Felipe Carreras
Secretário de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco

Publicação: 11/02/2017 03:00

O ministro do Turismo, Marx Beltrão, vai se reunir com o presidente Michael Temer, segunda-feira, com a intenção de defender a isenção do visto para os americanos que desejarem entrar no país nos próximos dois anos. Uma decisão acertada diante de uma economia fragilizada e da necessidade de impulsionarmos ainda mais o turismo no país como uma das soluções para diminuir a situação delicada pela qual passamos. Além do mais, esta não seria a primeira vez que isso aconteceria. No último ano, durante os Jogos Olímpicos, a isenção beneficiou 75% dos visitantes dos Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália. Desses, 82% afirmaram que a dispensa do visto facilitaria um possível retorno.

Para se ter uma ideia da grandiosidade do mercado de turismo nos Estados Unidos, basta dizer que o país é o segundo maior emissor de visitantes do mundo, ficando atrás apenas da China. A maioria deles viaja a lazer. Diante de um país como o nosso, com um litoral único, uma gastronomia admirada, uma cultura singular, uma riqueza histórica e um povo acolhedor, é impossível recebermos apenas cerca de 600 mil norte-americanos por ano. Apesar de eles estarem em segundo lugar no ranking de emissores de turistas para o Brasil, atrás apenas da Argentina, com dois milhões de visitantes durante o mesmo período, acredito que este número poderia ser muito maior caso a reciprocidade do visto deixasse de existir. A própria Organização Mundial do Turismo (OMT) apontou a exigência do documento como uma das principais barreiras para o crescimento das atividades turísticas em qualquer país.

O que é preciso deixar bem claro é que as motivações para a reciprocidade são totalmente diferentes. Os Estados Unidos criaram uma barreira para evitar uma chegada desenfreada de imigrantes, seja de brasileiros ou de qualquer outra nacionalidade, com outros objetivos que não sejam o turismo. O Brasil começou a exigir o visto porque os EUA exigiam. É uma espécie de resposta sem muita explicação lógica. Ao contrário do que muitos pensam, não existe uma demanda reprimida de norte-americanos por virem ao nosso país. Existe apenas uma dificuldade para eles virem. E se existe dificuldade, eles têm uma série de outros locais para viajar com a família e deixarem seus dólares.

Enquanto existir a exigência do visto, o Brasil vai perder a oportunidade de receber turistas dos Estados Unidos. Atualmente, os norte-americanos são os que mais passam tempo no país. São cerca de 20 dias. O gasto médio deles também é o maior, com US$ 1,5 mil por pessoa. Quando criamos este tipo de barreira, estamos deixando escapar a chance de promovermos o incremento nas atividades turísticas, gerar empregos, movimentar a economia e captar cada vez mais famílias dos EUA para visitar todo o país. Deixamos de lado tudo o que sempre precisamos, principalmente neste momento sensível da economia.

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