EDITORIAL » Quem paga a conta é o povo

Publicação: 11/02/2017 03:00

O presidente Michel Temer enfim posicionou-se sobre a greve da Polícia Militar do Espírito Santo. Como destacou o noticiário nacional, fez isso cerca de uma semana depois do início da paralisação dos policiais militares, que jogou o estado numa situação de caos e violência - até o momento do posicionamento do presidente, 121 mortes violentas haviam sido registradas, segundo dados do Sindicato dos Policiais Civis.

Uma posição firme do mandatário do país é fundamental em momentos como este. Por meio de nota oficial, o presidente refere-se duramente ao movimento, que trata como “ilegal” e “inaceitável”. Conclama os policiais a retornarem ao trabalho e diz que o direito às reivindicações da categoria não pode deixar a população como refém. “O estado de direito não permite esse tipo de comportamento inaceitável”, diz a nota.  A posição de Temer coincidiu com o endurecimento do governo do Espírito Santo, que - diante do fracasso nas negociações com os grevistas - tomou a decisão de indiciar 703 policiais por “crime de revolta”.

A intervenção do presidente coloca em evidência algo que, embora seja uma obviedade, costuma ser tragado pelos conflitos quando eles chegam ao estágio que chegaram no Espírito Santo: por mais que o governante considere justas as reivindicações dessa ou daquela categoria, por mais que entenda que é legítimo pedir reajustes salariais e melhores condições de trabalho, a obrigação do governante é manter a ordem e o devido cumprimento das leis.

Fora desse quadro, todos perdem, e perde sobretudo a população, que - no caso específico da segurança - fica vulnerável a um estado de coisas em que os bens materiais e a própria vida são colocados em risco.  Como bem diz a nota oficial do presidente Temer, os grevistas devem retornar ao trabalho “como determinou a Justiça” e as negociações devem transcorrer “dentro do mais absoluto respeito à ordem e à lei, preservando o direito e as garantias do povo que paga o salário dos servidores públicos, sejam eles civis ou militares” (grifo nosso).

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