Calamidades

Francisco Dacal
Administrador de empresas

Publicação: 10/02/2017 03:00

Em tempos de Putin, presidente da Rússia, na Europa, não dar para estranhar agora o Trump, novo presidente dos EUA, na América. Complementam-se no movimento estratégico da política global dos últimos anos. Com suas indiossincrasias, estão na frente do poder de duas das mais influentes potências do planeta. Temos que ter sangue frio.
O jogo duro e polêmico de Vladimir Putin, já se conhece. De Donald Trump, são especulações e incógnitas em cima de parte de suas propostas, algumas incomuns, outras inquietantes.
É difícil supor que Trump irá divergir tanto do padrão americano de governar. Barack Obama pessoalmente passou o bastão, e os ex-presidentes Carter, Clinton e Bush testemunharam a posse. Devemos observar que, para eles, na prática, a responsabilidade do cargo impõe aos ocupantes condições diferentes do que estamos acostumados a ver em outros lugares.
A reportagem de capa do periódico El País do dia 22 de janeiro informa – “O papa Francisco assegura sobre Donald Trump: Não gosto de antecipar-me aos acontecimentos. Vamos ver o que ele faz, não podemos ser profeta de calamidades”.  
Sábia, as palávras do Papa. E com base nelas devemos é ter nossos olhos e preocupações voltados à realidade do Brasil atual, à grave crise que sofre, sem sinal de fim às calamidades criadas. O novo século parece perdido, até o momento.
O conjunto de problemas brasileiros é verdadeiramente assustador: 60.000 assassinatos por ano; educação e saúde deficientes; infraestrutura precária; bolsões de pobreza; assistencialismo que não promove inclusão social de fato; recessão econômica; desemprego em larga escala; jovens sem perspectivas; corrupção endêmica; etc.
O que dizer dos presidentes após a redemocratização. Collor (Impeachment)? - Itamar (ex-vice)? -Sarney? -FHC? -Lula? -Dilma (impeachment)? -Temer (Ex-vice), em exercício?
O mais transparente do citado grupo, tudo indica, foi o Itamar Franco, pois dele pouco ou nada se fala, um ótimo indicador.
Como superar todos os problemas é a grande questão do país. Desafio gigantesco, em uma atmosfera de enorme inconfiabilidade.
Como a esperança nunca morre, assim como a democracia, para a maioria da população brasileira ela está concentrada na Operação Lava-Jato. Passou a ser bandeira de luta, ponto de partida em busca de um novo tempo. A história poderá colocá-la como o maior acontecimento da história republicana.

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