EDITORIAL » Filmes brasileiros, orgulho para o país

Publicação: 10/02/2017 03:00

Começou ontem o Festival de Cinema de Berlim, um dos mais importantes do mundo.  Também um dos mais antigos: está em sua 67ª edição.  Para nós, brasileiros, o evento conta com uma característica especial: terá a participação de nada menos que 12 filmes do Brasil. E para nós, pernambucanos, a característica especial vem em dose dupla: são daqui o longa-metragem selecionado como representante do Brasil na competição principal (Joaquim, de Marcelo Gomes), que disputará o Urso de Ouro, e o que concorrerá na categoria de melhor curta-metragem (Estás vendo coisas, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca).  O primeiro narra a história de Joaquim José da Silva Xavier, antes de ele tornar-se a figura histórica de Tiradentes; o segundo mostra a cena da música brega na capital pernambucana.

Antes disso já tivemos a extraordinária repercussão internacional de Aquarius, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, e a seleção de 15 filmes brasileiros no Festival de Roterdam, na Holanda, este realizado entre 28 de janeiro e 5 de fevereiro.  Em um momento no qual o país vive uma crise que parece interminável, o cinema do Brasil nunca esteve tão bem. A afirmação soa particularmente impactante quando vista sob perspectiva histórica recente - no início dos anos 1990, com o governo Fernando Collor, o setor foi praticamente destruído, com o desmantelamento da Embrafilme, empresa estatal distribuidora e produtora de filmes. Na segunda metade da década, deu-se o início de uma retomada que se confirmaria a partir dos anos 2000, e que tem hoje a participação uma talentosa geração de cineastas da chamada cena pernambucana, como Claudio Assis, Camilo Cavalcante, Gabriel Mascaro, Hilton Lacerda, Kleber Mendonça, Lírio Ferreira e Marcelo Gomes, entre outros.

É fundamental destacar que (a par do talento dos brasileiros que hoje estão se destacando no setor) o renascimento da cinematografia nacional é fruto sobretudo do estímulo das políticas públicas da Ancine (Agência Nacional do Cinema), que proporcionaram as condições necessárias para a realização das produções.  Pelo bem do cinema brasileiro, torçamos para que estes incentivos não sejam alvos de medidas que os inviabilizem.

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