Operation Walk

Marcos Roberto Dubeux
Empreendedor

Publicação: 08/02/2017 03:00

Há alguns anos, devido a uma lesão de joelho, e por apresentação de um parceiro americano, conheci em Chicago o Operation Walk. O grupo tem como objetivo a prestação de serviços médicos gratuitos para devolver a capacidade de andar aos pacientes. Foi fundado há vinte anos, e hoje possui 15 versões que já atenderam, no total, mais de 10.000 pessoas em uma centena de viagens a 20 países em desenvolvimento, como a China, a Índia, o Equador, Vietnam, Nepal – e agora, também no Brasil.

O Operation Walk Chicago realizou as 46 cirurgias gratuitas de próteses no mês passado no Cabo de Santo Agostinho. Chicago sedia o maior centro de reabilitação do mundo, fundado em 1954, criado dentro da universidade Northwestern e impulsionado a partir de doações da família do ex-presidente JFK. Os impactos que os pacientes com necessidade de reposição articular acarretam para as economias de nações em desenvolvimento podem ser compreendidos à luz do Operation Walk. Esses pacientes, na maior parte dos casos, estão em idade produtiva confinados em cadeiras de rodas e muletas. A impossibilidade para trabalhar compromete suas famílias e as gerações futuras. A implantação de próteses em quadril e joelho é considerada a de melhor custo- benefício na ortopedia. No entanto, por se tratar de uma cirurgia de alta complexidade e cara (em média, R$ 200 mil cada), é pouco acessível para a população de baixa renda. No Brasil, o SUS não tem como atender a uma demanda que reúne, apenas em Pernambuco, um contingente de 2.00
0 pessoas em lista de espera.

Os cinco dias de procedimentos no Hospital Dom Helder Camara ficaram na memória de todos que acompanharam a emoçãodos pacientes e a dedicaçãodos 53 americanos que utilizaram suas férias para realizar esse trabalho. Tive a oportunidade de conhecer de perto casos de caminhoneiros, operários, pais e mães de família que esperavam a chance de se operar há anos. Daniele, 35 anos, devido a uma queda aos 15, esperava por uma chance. Erivan, por conta dos efeitos da Síndrome de Guillain-Barré, não podia sentar-se ou afivelar o sapato sem dor. Matheus, com 18 anos, não conseguia andar devido ao tratamento de leucemia.

A missão em Pernambuco foi marcante. No curto e médio prazos, articula-se um acordo de cooperação entre o Operation Walk, a Universidade Northwestern, a Secretaria Estadual de Saúde, o Hospital Dom Helder Camara e o centro Mens Sana da Fundação Terra para novas missões e transferência de conhecimento. No longo prazo, a criação de um centro de reabilitação no Cabo seria consequência desse esforço conjunto.

Diversas empresas e pessoas apoiaram a vinda do Operation Walk pela primeira vez ao Brasil. Aprendi com o Padre Airton Freire que não basta doar, é preciso se doar. E o que vi nessa iniciativa foi que o bem sentido por quem é destinado a realizar uma graça é maior ou igual ao de quem a recebe. Os estudantes que esperavam aprender novos protocolos e técnicas, aprenderam como tratar o paciente, e descobriram no projeto uma obra de amor ao próximo. Nos corredores do hospital existem citações incríveis do arcebispo emérito de Olinda e Recife, Dom Helder Camara. Uma não vou esquecer: “Quando os problemas se apresentam absurdos, os desafios se tornam apaixonantes.” 

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