EDITORIAL » O avanço dos extremistas

Publicação: 08/02/2017 03:00

A França vive a sua mais imprevisível eleição presidencial e o que está acontecendo lá tornou-se foco da atenção mundial. Pesquisa divulgada ontem pelo instituto Ifop mostra a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, em primeiro lugar, com 26% dos votos. Algo inimaginável décadas atrás, atualmente já não é mais: a França ser governada por um presidente de extrema-direita. A atenção que o pleito francês desperta é motivada também pelo que aconteceu em 2016, quando, na Europa, a Inglaterra abandonou a União Europeia e, na América do Norte, o controvertido megaempresário Donald Trump elegeu-se presidente dos Estados Unidos.

O caso da França tem algumas singularidades que passam despercebidas no noticiário tradicional. Lá o presidente socialista Francois Hollande está tão desgastado que sequer concorrerá à reeleição. O seu partido terá outro candidato, Benoît Hamon. Em todas as pesquisas realizadas até agora, a esquerda aparece distante das primeiras colocações.

O segundo colocado nas sondagens é um candidato que afirma “não ser de direita nem de esquerda”, Emmanuel Macron, que em agosto do ano passado deixou o governo de Hollande, do qual foi ministro da Economia. “O nosso sistema político está bloqueado”, diz ele, em um discurso que parece de candidato no Brasil, “e os aparelhos políticos e as lógicas politiqueiras paralisam a capacidade de avançar”.  A imprensa francesa o define como centrista.

Em terceiro lugar está o candidato da direita clássica francesa, François Fillon, que era o favorito para a disputa, mas viu sua candidatura derreter após denúncia de que quando era deputado deu empregos públicos à mulher e filhos, que teriam recebido salários sem trabalhar. Fillon surge com 18,5% das intenções de voto.

A eleição francesa é como a brasileira: tem dois turnos. O primeiro acontece em 23 de abril próximo; o segundo, em 7 de maio. Este modelo, segundo analistas internacionais, é o principal obstáculo à vitória de Marine Le Pen. Apesar da força de sua candidatura, seu perfil radical a impede de conquistar a hegemonia da sociedade francesa. Em um eventual segundo turno, teria mais adversários contra ela do que a favor. A mesma pesquisa Ifop aponta que, se o segundo turno fosse hoje, ela estaria em desvantagem perante Macron, que aparece com 64% das intenções de voto, contra 36%.

Independentemente do que aconteça, o panorama eleitoral na França é mais um indicativo do preocupante avanço de forças extremistas no mundo.

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