A 'careca' de Eike Batista e outros problemas

Francisco de Queiroz B. Cavalcanti
Professor Titular e Diretor da Faculdade de Direito da UFPE

Publicação: 07/02/2017 03:00

O fato de Eike Batista ser careca, em si, não é problema algum. Tenho vários amigos que o são. Uns não se importam: usam quando necessário um boné, outros mais vaidosos se submetem a intervenções de implantes, utilizam loções, remédios os mais variados. Há até conhecida autoridade judicial de relevante atuação que se vale de “entrelace”. Tudo isso é irrelevante. No caso de Eike não. A peruca fixada nos poucos cabelos laterais tem um simbolismo muito grande. Todo o crescimento rápido do grupo “X” foi feito com base em ficções, artifícios a encobrir a realidade. A enorme e exuberante capacidade empresarial daquele indivíduo era tão artificial quanto seus cabelos. Construiu-se com grande estrutura de marketing, a ideia de um grande conglomerado nacional, com ações e bolsa apontando para um promissor investimento aos que resolvessem ser partícipes das ações do ilustre senhor. Inúmeros nomes representativos da área econômica, jurídica etc., despontaram no staff do grupo. Tudo isso regado a grandes inversões de recursos de origem pública, sangrando instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. Venderam-se ilusões sob a forma de ações, debentures e outras formas de participação societária. Tudo sucumbiu, após o enriquecimento fácil de Eike, elencado entre os dez homens mais ricos do mundo. O Brasil foi iludido. Os recursos foram desviados. Não basta o corte de cabelo de Eike, não basta lançá-lo em “Bangu”, com banho de água fria e “privada chinesa”. Necessário se faz    verificar com afinco quem foram os cabeleireiros dessa peruca nefasta, capaz de encobrir tão duro assalto aos cofres do BNDES. Tão seria muito mais profundo que a “Lava-Jato”, não alcançaria apenas “políticos de primeiro escalão”, mas todo um segmento dentro do empresariado nacional e alienígena que obteve recursos com grande facilidade dos cofres nacionais e que não se pode esquecer, simplesmente argumentando que o BNDES reduziu seu volume de atuação para o de vinte anos atrás. A engorda e o destino dos recursos desse período devem ser apurados. Não basta reduzir o atendimento do salão de beleza. Muitos proprietários de “patos amarelos”, críticos do Estado, mas beneficiários dos recursos dele devem prestar contas. Muitas ficções devem ser desmascaradas, muitas perucas devem ser desfeitas, só assim, o Brasil, efetivamente será passado a limpo.

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