EDITORIAL » Fachin e a expectativa dos brasileiros

Publicação: 07/02/2017 03:00

A semana passada foi rica em acontecimentos políticos. Elegeram-se os presidentes da Câmara e do Senado. O Planalto criou dois ministérios. Recomeçou a batalha pela aprovação das reformas essenciais para tirar o país da crise em que está mergulhado. Mas talvez o fato mais sensível à maior parte da sociedade tenha sido a escolha do novo relator dos processos da Lava-Jato que se encontram no Supremo Tribunal Federal.

Luiz Edson Fachin é ministro discreto como o antecessor, Teori Zavaski, morto tragicamente em acidente aéreo. Herda 77 delações de executivos e acionistas da Odebrech, homologadas pela presidente Cármen Lúcia, as quais citam importantes políticos. Ao falar sobre o assunto, disse o que todos queriam ouvir: vai cumprir o dever com “prudência, celeridade, responsabilidade e transparência”.

São palavras que dialogam com a contemporaneidade. Os tempos são do Judiciário, a quem os brasileiros recorrem com crescente assiduidade, mas quase sempre se frustram em razão da demora em obter a resposta pela qual anseiam. Assim, ao prometer celeridade, Fachin deu um passo à frente. Prudência, responsabilidade e transparência fazem parte da natureza das atribuições do juiz. Celeridade, porém, é compromisso que não figura entre as prioridades dos togados Brasil afora.

Rapidez é, sem dúvida, uma das características da ação de Sérgio Moro que conquistou a admiração dos brasileiros. Com o magistrado paranaense, ficou claro que demora não é fatalidade, mas cultura construída ao longo de anos. Faz parte da tendência nacional quase inelutável de adiar, deixar para amanhã o que pode ser feito hoje. Se possível, para depois de amanhã.

Ocorre que processos lidam com vidas, que dependem da sentença para corrigir rumos e tomar decisões. Não raro aguardam por décadas. Ou morrem na fila de espera. As de Luiz Edson Fachin se revestem de relevância especial. Ele tem em mãos políticos com foro privilegiado -- pessoas com mandato que figuram no alto escalão do Estado que devem ser julgados em momento crucial para o governo e para o país.

Impõe-se -- conclui-se das palavras do relator da Lava-Jato -- reduzir os ruídos que podem atrapalhar o curso das reformas no Congresso. Entre elas, a previdenciária e a trabalhista. Não só. Com a Operação Lava-Jato, o Brasil aprendeu a olhar com novos olhos o Judiciário e o Ministério Público. Trata-se de capital importante difícil de construir, mas fácil de perder.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.