Sumidouro reafirma a sociologia e indica caminhos

Raimundo Carrero *
raimundocarrero@gmail.com

Publicação: 06/02/2017 03:00

Já nasceu clássico e se reafirma como obra decisiva no campo da sociologia e indica os caminhos neste campo para novos estudos. Falo de Sumidouro do São Francisco, de Abdias Moura, que chega à quarta-edição pela Editora Tempo Brasileiro, solidificando a trajetória de um ensaio muito bem escrito, com um ponto de vista claro e objetivo, além de forte consistência científica.

Não se constitui de princípio numa surpresa, porque todos conheciam as grandes qualidades do seu autor, sério, empenhado, definitivo, erudito, preparado para atingir os objetivos a que se determinou. Mesmo assim causou inquietação desde que foi lançado – Sumidouro do São Francisco  – origem dos conflitos no Brasil  – continha elementos suficientes pela sua originalidade e pelo desenvolvimento teórico, pela composição dos capítulos e, é claro, pela seriedade dos argumentos.

A frase inaugural  é um farol e uma ousadia científica: “Este livro pretende explicar, no seu desenvolvimento, a sociedade brasileira. “ E, em seguida, expõe o seu método: “Mas, ao contrário de tantos outros que o antecederam – e de que amplamente me vali – a metodologia utilizada foi exatamente o contrário de uma reflexão globalizante sobre qualquer um dos conceitos puros a que têm recorrido os estudiosos de vários  matizes, que tentam interpretar essa realidade  sociocultural”

Aí está a sua notável originalidade e ousadia: “Partindo do particular para o geral, de um segmento para o conjunto da sociedade, fui levado a escolher, como marco referencial do trabalho, um ponto obscuro de mapa atual do Brasil, espécie de quadrilátero, situado ao norte da Cachoeira de Paulo Afonso, margem esquerda do Rio São Francisco, em terras de Pernambuco.”

Vem daí, em consequência, a afirmação do escritor Eduardo Portela: “O Sumidouro do São Francisco é um livro, um lugar, de múltiplas e acidentadas relações. Ao norte da Cachoeira de Paulo Afonso, na margem esquerda do Rio São Francisco, a vida humana jamais foi uma dádiva do céu ou presente da terra.” Daí porque para realizá-lo, o autor teve que desenvolver um trabalho, ao mesmo tempo, de pesquisador social e de repórter, jornalista que é, com ampla atuação no jornalismo pernambucano. Aliás, não só Abdias, mas toda a família. A exemplo de Adonias Cabral de Moura, com quem tive o prazer da convivência pessoal e profissional durante muitos anos neste Diario de Pernambuco. Sem falar em ainda em Isnard de Moura, professora, jornalista e escritora de alta qualidade.

* Escritor e jornalista

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