Médicos ratificam morte da ex-primeira-dama do país

Giovanni Mastroianni
Advogado, administrador e jornalista

Publicação: 04/02/2017 03:00

A anunciada morte cerebral da senhora Marisa Letícia Lula da Silva, ex-primeira-dama do país,  trouxe uma dúvida à mente daqueles que ignoram as diferenças existentes entre morte cerebral e a morte propriamente dita. Tornou-se público e notório o fato de que, vítima de um acidente vascular cerebral hemorrágico, causado pelo rompimento de um aneurisma, diagnosticado há cerca de dez anos, a esposa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fora internada, dia 24 de janeiro último, na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, tendo, dia 2 do mês em curso, divulgada sua morte cerebral, inclusive anunciada, através de seus familiares, a doação de seus órgãos. Todavia, as mesmas fontes que circularam tais notícias asseveraram, dia seguinte, que os médicos daquele nosocômio ainda fariam baterias de exame na paciente, a fim de decretarem, oficialmente, sua morte cerebral. Por certo, tais noticiários controversos deixaram atônitos os leigos ou os menos informados, no que tange à diversidade de informações.

Qual a diferença entre morte natural e morte cerebral? Segundo esclarecem os compêndios de medicina, morte natural é aquela que não é causada por um fator externo, como a que ocorre em decorrência da velhice, por exemplo, enquanto a cerebral é aquela que se enquadra em consequência, verba gratia, de um infarto do miocárdio ou de um acidente vascular do cérebro.

Somente no último boletim médico divulgado, neste dia 3, pela equipe médica que assistia a paciente, realizado  após a constatação inicial de que não havia mais fluxo sanguíneo, no cérebro de dona Marisa e, depois da realização de doppler craniano,  ficou caracterizado seu possível passamento. Todavia, somente quando não mais respondeu aos estímulos, culminando com a ausência de respiração, foi que a equipe médica ratiticou a morte da ex-primeira-dama. Finalmente, após tantas comprovações dona Letícia seguiu ao encontro da paz celestial.

Embora houvesse galgado a posição social de primeira-dama do Brasil, durante oito anos, no período de 1.º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2010, Marisa Letícia teve um início de vida modesta, filha de agricultores, imigrantes italianos, residentes em fazenda do interior paulista, em São Bernardo do Campo. Ainda em tenra idade frequentou uma escola púbica e com nove anos de idade atuou como babá de três crianças. Aos treze, devidamente autorizada pelos pais, atuou em uma fábrica, como embaladora de doces, atividade que desenvolveu até atingir os dezenove anos de idade, quando contraiu seu primeiro matrimônio, do qual teve seu primeiro filho, Marcos. Este não chegou a conhecer o pai, assassinado, quando sua mãe ainda se encontrava grávida. Atuando como inspetora de alunos, em um colégio mantido pelo governo estadual, conheceu o metalúrgico “Lula”, no sindicato do qual ele fazia parte e onde se iniciou na política, até atingir o mais alto posto da nação.  Dessa união nasceram seus filhos Luiz Cláudio, Sandro e Fábio e criou a enteada Lurian.

Não conheci, pessoalmente, a falecida, mas sim “Lula”, quando na condição de presidente da República visitou as dependências da ASCES, em Caruaru, e eu, na condição de 1.º Secretário da entidade, fui designado para integrar a comissão encarregada de recepcionar a ele e sua comitiva.

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