Os velhos carnavais

Laura Areias
Jornalista e escritora

Publicação: 03/02/2017 03:00

Saudade dos anos 30, recordação dos que viveram a época. Há ainda grupos que cantam as marchinhas desse tempo, no Marco Zero, em segunda-feira nos dias de Momo.

As ruas do Recife, como as ruas Nova e Imperatriz, eram palco da passagem de carros com seus foliões jogando serpentinas, confetes e água nos pedestres. O cheiro inebriante da lança perfume dava o sedutor tom que se traduzia em plena alegria. Esqueciam-se as agruras do ano inteiro para descarregar suas emoções nos três dias carnavalescos, acrescentados com prévias e a tradicional quarta-feira, marcada pelo Bacalhau do Batata.

Outrora não se dispensava o famoso trio: Arlequim, matreiro, namorador, encantando as mulheres, com destaque a Colombina que amava o Pierrô e traiu o correspondido amor, vacilando o sentimento com o espalhafatoso Arlequim.

Hoje em dia, o Galo da Madrugada, desfila em trios elétricos onde a técnica se apresenta possante com alto som e cantores apresentando um verdadeiro show. Difere do passado onde as vozes se ouviam espontâneas, algumas desafinadas, mas, tudo era alegria. O frevo pernambucano e as marchinhas eram a essência da festa. Agora, o samba nacionalizou o evento, porém, Pernambuco não esquece a sua essência carnavalesca tocando o frevo. Nas ladeiras de Olinda, ele entoa-se e o pular frevista está na alma do povo, desde a criança ao velho, que esquenta seus pés no calor do solo. É uma festa sem distâncias sociais, as raças, as idades, ricos e pobres descarregam as suas emoções, mágoas contidas, crise econômica e política, tudo lavado da mente para viver o momento da descontração.

O Real Hospital Português tem o lema da igualdade, e para isso, promove uma prévia, na qual seus colaboradores convidam autoridades, médicos, jovens e políticos para que comunguem dessa finalidade que se chama descontração e convívio social. Recife fica em festa, Pernambuco também, puxado pelo megaevento “Segura a Seringa”.

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