Repórter Esso

Malude Maciel
Presidente da ACACCIL

Publicação: 02/02/2017 03:00

Reportando-nos há tempos atrás, quando não havia televisores nas residências e somente pelo rádio as notícias locais e mundiais eram transmitidas, verificamos que as reportagens mais importantes, bem elaboradas e confiáveis chegavam através de um agente conhecido com o nome de: Repórter Esso por ser patrocinado pela firma de produtos petrolíferos no Brasil, a Indústria Brasileira de Petróleo.

Mesmo depois do advento da televisão a Esso ainda prosseguiu com seu jornalismo de primeira classe e propagandas engraçadas por grande período quando apareciam os desenhos das chamadas “gotinhas Esso” que foram feitas uma para a outra. Era um sucesso.

O rádio reinou sozinho um tempão, sendo interessante como todos se acomodavam ao pé do aparelho (década de 60) a fim de melhor escutar e desfrutar dos programas ali apresentados. Além das músicas havia as novelas quando a meninada se reunia acompanhando: Jerônimo, o herói do sertão através exclusivamente dos sons e onde a imaginação caminhava solta fantasiando os personagens admirados do elenco. Porém o que mais chamava a atenção dos adultos era o noticiário do Repórter Esso; quando se ouvia a música (slogan, jingle) característica da: edição extraordinária, havendo avalanche de ouvintes querendo ligar o rádio imediatamente para saber dos últimos acontecimentos e depois sair comentando com os vizinhos e os demais que não foram informados em primeira mão. Era assunto para longas conversas e comentários.

Mamãe gostava das atrações musicais e sabia de cor os nomes das cantoras da época, como também suas canções preferidas, pois colecionava as revistas denominadas: Rainha do Rádio que trazia as disputas entre as artistas mais famosas, como: Linda Maria, Emilinha Borba, Marlene, Adelaide Chioso, Eliana, Isaurinha Garcia, Elisete Cardoso e muitas outras de grande sucesso e belas vozes. Era comum que as pessoas cantassem enquanto trabalhavam nos serviços domésticos e decoravam as letras das composições, entoando as suas prediletas o que quase não acontece atualmente.

Papai apreciava o A voz do Brasil, pois transmitia notícias internacionais embora as interferências atrapalhassem a audição correta e houvesse dificuldade em captar o som, mesmo assim o rádio era acionado nos horários já estipulados e ninguém queria perder.

Jogos de futebol eram pacientemente acompanhados pelo rádio constituindo uma verdadeira aventura, principalmente durante as Copas do Mundo, um acontecimento à parte, pois hoje não se tem ideia da façanha para quem não vivenciou in loco cabe à gente narrar e rir disso.

Com todas essas experiências radiofônicas pode-se afirmar que o famoso Repórter Esso alcançava uma audiência fenomenal em todas as camadas sociais, pois se sabe da importância da imprensa falada e escrita para uma população que deseja ser bem informada, sendo fundamental à Democracia, quando é confiável e livre. Portanto o mencionado noticiário cumpriu seu papel esplendidamente numa época onde os recursos tecnológicos ainda estavam inibidos.

O Repórter Esso merece ser lembrado e aplaudido pela digna função desempenhada com brilhantismo em nossa sociedade.

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