EDITORIAL » O trânsito nosso de cada dia

Publicação: 02/02/2017 03:00

Estima-se que, com o retorno da rotina escolar ao longo desta semana, o fluxo de veículos nas ruas do Recife aumente em até 25% em comparação com o período de férias. Em números absolutos, quem mora na cidade terá de lidar com uma média de 250 mil carros extras em circulação. A previsão da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) indica que a partir de então os recifenses terão de rever lições antigas de educação no volante, respeito às leis, paciência para com o motorista do lado. Parece obviedade, mas é oportuno lembrar que ignorar ou relativizar regras de convivência pode tornar o que já está ruim muito pior.

Sabe-se que há pontos mais críticos, a exemplo dos trajetos das avenidas Rui Barbosa e João de Barros, que ligam o Centro até a Zona Norte da cidade. A Avenida Agamenon Magalhães deve ser lembrada como outro ponto que costuma ficar conturbado e ocasionar trânsito com velocidade lenta. Mas é em portas de unidades de ensino, sobretudo as da rede particular, onde o quadro costuma ser crítico. Nesses locais, vê-se o maior número de irregularidades. Filas de estacionamento duplas ou triplas, interrompendo o trânsito por completo; veículos em vias onde a parada é proibida e estacionamento sobre calçadas é algo corriqueiro e pouco questionado pelos pares. Geralmente apressados, pais e responsáveis colocam em prática a Lei do Gérson - aquela que não considera questões éticas desde que se consiga sair em vantagem.

A configuração só muda quando agentes de trânsito são vistos nas redondezas para coibir as práticas. Com temor de multas, a educação no trânsito volta a valer por alguns instantes e cada um busca uma solução aceitável para lidar com seu veículos. O mesmo acontece nas vias de grande circulação: na presença de um guarda da CTTU, ultrapassagens são evitadas, sinais amarelos são mais respeitados e o uso de celular enquanto se dirige é evitado.

São 250 veículos a mais no Recife. Seria sensato neste início real do ano letivo voltar a pensar em como cada um tem sido como motorista, como atua enquanto peça importante de uma engrenagem que está em constante funcionamento. Ela, que já vive por ranger todos os dias com a carga imposta em virtude de um planejamento urbano equivocado, voltado para o individualismo.

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