EDITORIAL » Alerta mantido

Publicação: 01/02/2017 03:00

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem a maior taxa de desemprego da série histórica do país, iniciada em 2012.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), 12 em cada 100 brasileiros em idade produtiva estavam à procura de emprego entre outubro e dezembro de 2016. Três a mais que no mesmo período do ano anterior. Apesar do recorde, o resultado da pesquisa ficou dentro da expectativa dos especialistas, o que significa que, conforme profetizado por eles, a crise bateu no emprego e 2017 não será ameno.

Menos emprego significa menos renda, menos consumo e, consequentemente, novas demissões. O ciclo é cruel e não dá espaço a interpretações dúbias.

Os brasileiros estão sem dinheiro, as empresas estão sufocadas e a solução imediata é reduzir mão de obra. O coquetel nefasto da conjunção das crises política e econômica faz cada vez mais vítimas, em todas as classes sociais.

A recolocação fica mais lenta e, em paralelo, há um recrudescimento da informalidade, que, se por um lado garante o sustento emergencial das famílias, por outra via compromete a arrecadação e agrava a crise, ameaçando novos postos de trabalho.

É nesse cenário que o governo promete disponibilizar, neste mês, o calendário para saque dos recursos depositados nas contas inativas do FGTS até 31 de dezembro de 2015. Antes, o dinheiro ali depositado ficava inacessível ao trabalhador até que ele completasse ao menos três anos desempregado.

O objetivo do governo é impulsionar o consumo, o que movimenta o caixa das empresas, gera alta na arrecadação de impostos e, no fim da corrente, resulta em novos empregos. Mas não é tão simples.

Dois outros indicadores comprometem fortemente essa corrente positiva: o endividamento das famílias e sua intenção de consumo, ambos medidos pela Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo. Enquanto 58,7% das famílias brasileiras estão endividadas — índice 3,9% menor que o do ano anterior —, a intenção de consumo caiu 1,7% entre elas.

Juntos, os números dizem que o brasileiro está cauteloso e, para a economia, não há nada pior que a cautela. O freio das famílias deve inspirar ainda mais cuidado, sobretudo no momento do acesso aos novos recursos que vêm do FGTS. Pagar dívidas e garantir reserva devem ser prioridade, o que impacta negativamente o resultado projetado pela iniciativa.

A análise permite afirmar que, mesmo antes da liberação dos recursos inativos, o setor produtivo segue à espera do anúncio de medidas que sejam capazes, de fato, de estimular a retomada.

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