O crime não compensa

Ary Avellar Diniz
Diretor do Colégio Boa Viagem e da Faculdade Pernambucana de Saúde

Publicação: 31/01/2017 03:00

Diariamente, fatos estarrecedores são divulgados nas tevês brasileiras, todos provocados por indivíduos que infringem o Código Penal e outros instrumentos legais, com ênfase para o crime de corrupção praticado por usurpadores do país e sem expectativas imediatas de debelação.

A justiça tarda mas não falta!

Os partícipes provocadores do retrocesso econômico da Nação, muitos se encontram atrás das grades; outros seguirão pelo mesmo caminho.

Pressupõe-se que essa gente do mal tenha refletido (afinal, são seres racionais) que o crime não compensa… Tais pessoas, ousadamente, possuem uma grande arma: o cinismo, estampado numa lustrosa “cara de pau”, pois sempre tentam postergar o processo em execução, se possível até a sua prescrição!

Já os crimes de morte fazem crescer, a todo o momento, as estatísticas policiais, abarrotando de transgressores da lei as nossas prisões, locais considerados verdadeiros infernos na terra e caracterizados pela total falta de higiene e segurança pessoal, o que estimula a troca de olhares desconfiados entre a população carcerária. Alguns desses prisioneiros sentem, ao fim do ano, o sabor de uma licença natalina. Muito certamente, quando livres e tranquilos, devem refletir: “O crime não compensa”!

Uma nova classe de prisioneiros tem surgido: os “colarinhos-brancos”, frustrada por lembrar-se de que usufruía quotidianamente “do melhor”. O sofrimento pessoal corrói corpo e mente, provocando a dor, que ensina a gemer. — Quando a cabeça não pensa, o corpo padece. Traduzindo em miúdos: a sociedade, representada pelo Ministério Público, vem apontando os principais infratores da lei. Em primeiro lugar no “ranking maldito”, um magnata, considerado um dos homens mais ricos do Brasil. Preso há quase dois anos, enjaulado, teve tempo suficiente para refletir no prejuízo dos atos de delinquência cometidos. — Quantas saudades do seu “dolce far niente”. Certamente, medita: “O crime não compensa”!

Um outro elemento, bastante cínico, silencioso e matreiro, locupletava-se bastante com o dinheiro público, engordando suas contas bancárias no exterior. Quanta propina arrecadada às vistas do entristecido Cristo Redentor, por ocasião das obras destinadas ao embelezamento do Rio de Janeiro e previstas para a Copa do Mundo de Futebol (2014) e as Olimpíadas (Rio 2016)! E coitada da atual esposa desse elemento, enjaulada, sem poder usar suas belas e caríssimas joias, presenteadas pelo maridinho!…

Será que o crime compensa?

No dia 26 de janeiro de 2017, as televisões do Brasil e outros meios de comunicação documentaram a decretação da prisão de “Mister X”, na ocasião foragido da justiça, ex-marido de uma exuberante modelo que desfilava em escola de samba, no carnaval carioca.

“Mister X” era feliz e não sabia. Poder, glória e dinheiro não lhe faltavam. Mas, de repente, as circunstâncias o fizeram andar escondido como um rato amedrontado, sem poder dormir nem caminhar livremente nos melhores locais de lazer, onde comparecia invariavelmente bem acompanhado. Após quatro dias de solidão e angústia, resolveu retornar, afirmando que o Brasil é um novo Brasil. Será que, por fim, reconheceu que o crime não compensa?

Milagre à vista…

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