Coisas da vida

José Carneiro
Juiz e professor

Publicação: 31/01/2017 03:00

As coisas acontecem ao sabor do tempo e do vento. Umas por nossa vontade, outras independentes do nosso querer e de conformidade com as circunstâncias. Umas alegres, outras tristes. Muitas delas, disfarçadas em sonhos e desilusões. Assim é o mundo que habitamos e a vida que levamos. O resto é mistério e silêncio, cada um de nós buscando a felicidade, um dos bens mais procurados na Terra.

Há poucos dias ocorreu um fato, que me tirou do natural. Sem um objetivo, sem ao menos conhecê-lo pessoalmente, dirigi um e-mail ao Senhor Maurício Rands Coelho Barros, no qual confidenciei que desde a sua renúncia ao mandato de deputado federal passei a admirá-lo, por considerar uma atitude fora do comum. Uma tomada de posição própria de um cidadão probo, que sabe o que quer e é fiel aos seus princípios éticos. Enfim, de um homem independente e determinado. Além disso, felicitei-o pelo eloquente desempenho à frente do Diario de Pernambuco.

Em face de sua legítima atuação como um dos diretores do velho e tradicional diário, entre outras coisas, assinalei o editorial, que ganhou outra dimensão, e a secção Opinião que, com bons articulistas e melhores composições literárias e pragmáticas, o jornal se vestiu de uma roupagem nova e elegante. Falei, por fim, da distribuição dos cadernos e da edição dupla, englobando sábado e domingo, por demais criativa e inovadora. Concluí, salientando que o Diario é outro jornal depois dos irmãos Rands.

Sou de longe assinante do Diario de Pernambuco. A vida toda gostei de ler e escrever. Agora, ainda mais, pois, aposentado, tenho o tempo livre para fazer o que quero e me agrada. Pertenço à União Brasileira de Escritores, com dois livros publicados, A Baraúna e Sabedoria do Tempo. Tenho predileção por cartas, que considero um agradável meio de comunicação. As cartas são românticas e sentimentais. Especialmente as cartas de amor. Elas falam diretamente ao coração e permanecem na alma da gente. Não enganam, porque nelas se diz o que sente e quem diz o que sente não mente. Elas são a revelação do pensamento e a manifestação da vontade. No meu livro, Sabedoria do Tempo, há várias cartas. Houve época em que o Diario de Pernambuco publicava Bilhetes do Sertão, crônicas de Luiz Cristóvão dos Santos, da Academia Pernambucana de Letras, de boa aceitação dos leitores. Em razão disso, sugeri a abertura de uma secção no Diário, intitulada Troca de Cartas ou Cartas às Quartas, dando oportunidade para quem quiser interagir através de missivas. As cartas dão alegria a quem as escreve e prazer a quem as lê.

Para grata surpresa minha, o Senhor Maurício Rands respondeu de pronto o meu e-mail, declarando que encaminhará a sugestão à redação. Além disso, engrandeceu-me com o convite de publicar meus textos no Diario.

Sou gratíssimo ao Senhor Maurício pelo honroso convite. Estou propenso a aceitar. Mas, estou com medo. Sou uma pessoa de muitos medos, que me acompanham pela vida afora. O medo é um estado emocional. Tem suas peculiaridades. Mais úteis que prejudiciais. Serve de alerta e advertência. Tenho medo de fazer o que não devo. De ser o que não sou. E, principalmente, de me perder pelos caminhos da vida. Não o prezo nem o detesto. Respeito-o. O medo é uma espécie de freio, que nos faz parar e meditar, a fim que o possamos acertar e errar menos.

O futuro responderá.

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