EDITORIAL » A Câmara tem de melhorar a imagem

Publicação: 30/01/2017 03:00

Quinta-feira a Câmara escolhe o presidente para os próximos dois anos. Talvez em nenhum momento na história moderna do país o evento se tenha revestido de mais delicadeza. Escândalos que envolvem parlamentares se sucedem ao longo dos anos e contribuem para formar opinião pública contrária ao poder. Hoje, há 22 deputados investigados pelo Judiciário e 150 citados em delações premiadas. O clímax da desmoralização se registrou em 2016. O processo que levou à cassação e posterior prisão de Eduardo Cunha pôs a instituição na berlinda.

O eleito precisa traçar uma meta que perpasse as demais, sem exceção ou concessões. Trata-se da recuperação da imagem do Legislativo. Impõe-se frear a crescente desconstrução que a classe política vem sofrendo. É grave, sobretudo quando se fala de um dos tripés que alicerçam a democracia.

Seria ingênuo exigir um parlamento formado por anjos. Composto por homens, que representam a sociedade com a heterogeneidade que caracteriza a brasileira, é natural que haja parlamentares enredados em malfeitos. É premente, porém, que sofram a punição correspondente. As pessoas passam, a instituição fica. Vale frisar que, até 31 de dezembro de 2018, o presidente da Câmara é o primeiro na linha sucessória. Ele se sentará na cadeira do Planalto sempre que o presidente da República se ausentar.

Passo importante é mostrar seriedade no trato das competências que cabem à Casa do Povo. A discussão e o ritmo de temas importantes para tirar o país do atoleiro em que se encontra estará nas mãos do eleito no próximo dia 2. Entre elas, as espinhosas reformas Trabalhista e da Previdência. Além de pautar a matéria, ele escolherá o presidente da comissão especial que debaterá o assunto.

Graças à enorme repercussão na mídia e nas redes sociais, a sociedade se conscientizou do poder do presidente da Câmara. Nas mãos dele estava a decisão sobre o rumo do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Conscientizou-se, também, da importância das manifestações populares. Multidões tomaram as ruas para exigir o afastamento de Dilma, depois de Cunha.

A realidade não deixa dúvidas: é importante fazer a leitura correta do tempo. No século 21, rejeitam-se comportamentos tolerados em eras anteriores. É hora de reduzir mordomias, acabar com foro privilegiado, atender as expectativas do eleitor. Assim como as más ações fazem estragos, as boas fazem reparos. Ambas se espalham país afora. Urge a recuperação da imagem da política. A Câmara tem papel importante a desempenhar.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.