EDITORIAL » Revelações preocupantes

Publicação: 27/01/2017 03:00

Recente estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) confirma a preocupação de especialistas com os principais entraves na economia para a retomada do crescimento: o desemprego e o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras. No entendimento do organismo de fomento internacional, esses fatores terão impacto direto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que crescerá pífios 0,2% este ano — o menor entre os países emergentes —, contra 0,5% previsto pelo mercado financeiro. Com a demanda do consumo pressionada, a recuperação econômica se torna cada vez mais difícil, mesmo com a adoção de medidas necessárias, como o controle dos gastos públicos e as esperadas reformas, como a previdenciária, cujo formato final será gestado pelo Congresso Nacional, e a trabalhista.

Na tentativa de estimular os agentes econômicos, o Palácio do Planalto vem tomando medidas em apoio às empresas altamente endividadas, além de tentar reduzir a burocracia e os custos da atividade empresarial. O governo federal também tem promovido ações pontuais nas relações de trabalho. Na avaliação do FMI, a grave situação financeira dos estados, com forte impacto na formação do PIB, deve ser resolvida por meio de nova legislação que lance as bases de um ajuste fiscal na esfera estadual, com fiscalização do governo federal — contrapartida exigida pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para a União prestar socorro financeiro às unidades da Federação.

O que provoca grande apreensão nos meios econômicos é que a deterioração do mercado de trabalho é muito mais profunda do que revelam os métodos tradicionais de amostragem. O Brasil está entre os recordistas mundiais do chamado desemprego ampliado (a taxa tradicional cataloga só quem procura trabalho e não encontra e a ampliada usa métrica mais abrangente). O país ficou no sexto lugar entre as maiores taxas de desocupação entre 31 países emergentes e desenvolvidos avaliados pelo Banco Credit Suisse. Dados recentes mostram que a taxa de desemprego ampliado no Brasil chegou a 21,2%, enquanto o índice oficial no ano passado chegou a 11,9%, um dos maiores da história.

A taxa de desemprego ampliado brasileira ficou bem acima da média dos outros países pesquisados, de 16,1%. Também superou a taxa de nações com renda semelhante, como México (18,3%) e a Turquia (15,9%). O Brasil está somente atrás de países europeus profundamente afetados pela crise econômica global desencadeada em 2008, com o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos — a recordista Grécia (31,2%), que praticamente quebrou, Espanha (29,75%), Itália (24,6%), Croácia (24,6%) e Chipre (23,8%).

A cruel realidade do mercado de trabalho no Brasil, descortinada pela pesquisa da instituição financeira internacional, demonstra que não pode haver retrocesso na escolha do caminho das reformas preconizadas pelo governo federal. O desemprego tem de ser combatido com todas as armas, para que possa ser oferecido à população brasileira o mínimo de dignidade.

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