Tostão - tricampeão mundial de 70 - faz 70 anos

Giovanni Mastroianni
Advogado, administrador e jornalista

Publicação: 25/01/2017 03:00

Nascido Eduardo Gonçalves de Andrade, em Minas Gerais, mais tarde conhecido mundialmente como Tostão, completa, neste 25 de janeiro, 70 anos de idade. Ganhou o apelido de Tostão, ainda menino, por ser bem franzino e o mais jovem de um time da Várzea, em Belo Horizonte. Apesar de garotinho, sumido entre adolescentes de quinze anos do Atlético Mineiro, marcou seu primeiro gol. Seu primitivo acidente ocorreu em uma das unhas do pé direito, ainda aos seis anos de idade, quando ficou impedido de ser destro, passando a chutar, exclusivamente, com o pé esquerdo, tornando-o  canhoto, problema que foi corrigido no futuro, quando, convocado para a seleção brasileira, o preparador físico Paulo Amaral exigiu que chutasse duas centenas de bolas, todos os dias, exclusivamente com o pé direito, a fim de que se tornasse um atleta completo, circunstância que se pode dizer concretizou-se ao ser considerado por muitos entendidos no ofício em um dos maiores jogadores do futebol nacional e internacional.

Seus primeiros passos, nos grandes clubes brasileiros, aconteceu no Cruzeiro, em 1961, mas como jogador de futebol de salão, e já, no ano seguinte, com quinze anos de idade, surgiu na equipe júnior do mesmo clube, jogando apenas um ano, pois logo foi contratado pelo América Mineiro.

Em  1963, retornou ao Cruzeiro, tornando-se herói três anos após, atuando ao lado de Dirceu Lopes e Wilzon Piazza ao vencer o Santos, bicampeão da Copa Libertadores da América, que contava com um plantel constituído de Pelé, Pepe, Mengálvio, Zito, Gilmar, Coutinho e Mauro.

Após uma estrondosa vitória por 6 a 2 sobre o melhor time do mundo, a imprensa quis lhe outorgar o título de “O novo rei”, denominação que não aceitou, pois afinal Pelé ainda era o “rei do futebol”. Apesar da recusa, curiosamente, na esfera internacional, era conhecido como o “rei branco”, pois Pelé era o “rei negro”. Vencendo o Santos, duas vezes seguidas, Tostão tornou-se um dos principais responsáveis pelo Cruzeiro ser, naquele ano, e, no Pacaembu, campeão brasileiro de futebol.

Foi consagrado o maior artilheiro da história do clube estrelado, onde atuou até 1972, registrando 249 gols marcados, durante sua permanência na equipe mineira.

Alvo da maior transação à época, Tostão transferiu-se para o Vasco da Gama, onde uma fatalidade o alcançou aos 26 anos de idade: uma inflamação na retina já operada, que o levou a Houston, onde os especialistas o aconselharam a abandonar o futebol, sob pena de ficar cego.

Fatos positivos e que jamais poderiam ser omitidos foram a classificação para o Mundial do México, em 1969, sendo o artilheiro das eliminatórias, que classificaram o Brasil para o México, e a conquista do tricampeonato mundial, em que o Brasil arrebatou a primeira Taça Julles Rimet.

Na volta do México, juntamente com Wilson Piazza, tive a honra de fazer companhia aos dois, em um dos restaurantes da cidade, fato que registro com muita alegria através de fotografias.

Aprovado em dois vestibulares das Faculdades de Medicina, em Belo Horizonte, especializou-se  em Clínica Geral, em 1981. Ao futebol, retornou, apenas, como comentarista esportivo, em jornais e emissoras de televisão. Destacou-se como professor da Faculdade de Ciências Médicas e escreveu um livro de memórias que denominou de “Lembranças, Opiniões e Reflexões sobre Futebol”.

Esse é Tostão, ídolo mineiro, que muito honrou o futebol nacional em defesa da seleção brasileira.

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