EDITORIAL » Aposta no ganha-ganha

Publicação: 24/01/2017 03:00

O Oriente Médio se assemelha a barril de pólvora. Ali estão concentradas questões que preocupam não só a região, mas também espalham tentáculos mundo afora. É o caso da guerra da Síria, do Estado Islâmico e, claro, da questão palestina. São temas que ultrapassam as fronteiras nacionais e disseminam nuvens de insegurança pelos cinco continentes. Não há país impermeável a atos terroristas, que ganham contornos novos à medida que os governos se previnem contra os conhecidos. Nice, Berlim e Jerusalém foram palco de atentados com caminhão jogado contra multidões.

Decisão tomada no fim de semana por Telavive tem o poder de acirrar ânimos. Trata-se da construção de 600 casas em assentamentos em três bairros da área leste de Jerusalém - setor considerado palestino pela Organização das Nações Unidas (ONU). Mais 11 mil novas residências estão previstas. As obras sofreram forte oposição do governo Obama, por considerá-las pedras no caminho do já penoso processo de paz que envolve as duas nações e se arrasta há décadas. Em dezembro, pela primeira vez desde 1979, Washington aprovou resolução da ONU que condenava as colônias israelenses. Sob protestos, o premiê Benjamin Netanyanhu interrompeu a edificação. A suspensão, porém, não significou desistência.

Mal Donald Trump tomou posse, as obras foram retomadas. Mais: o presidente americano anunciou que planeja a transferência da embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém. O tema, aventado na campanha à Casa Branca, ganha novos contornos agora. Trata-se, praticamente, de confirmação. Israel anexou a parte oriental da cidade santa em 1967, na Guerra dos Seis Dias. A comunidade internacional, porém, não legitimou a posse do território (reivindicado pelos dois povos) e mantém a sede das embaixadas em Telavive.

Serviços de segurança veem com preocupação o desenrolar dos fatos. Há o temor de aumento da violência em áreas próximas e distantes da zona de conflito. O terrorismo, que mantém em alerta o mundo desenvolvido e em desenvolvimento, ganha oxigênio. Inocentes morrerão e o risco crescerá. Trata-se de mais um retrocesso. Iniciativas baseadas na força, que apostam no ganha-perde, se mostraram incapazes de levar algum alento de paz para as hostilidades que se mantêm vivas há mais de meio século. É hora de mudar o jogo. O ganha-ganha deve figurar nas mesas de negociação.

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