Roque de Brito Alves examina na APL os quatro demônios da alma

Raimundo Carrero *
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Publicação: 23/01/2017 03:00

A afirmação de Sófocles não poderia ser mais arrasadora: “Na natureza existem coisas terríveis como os terremotos e os furacões, porém a mais terrível é o homem, sobretudo porque carrega na sua intimidade mais secreta os quatro demônios da alma: o ódio, a inveja, o ciúme e a vingança”, que provocam tormentos incríveis e são capazes de devastar, com um único gesto, populações inteiras.

Esta é, basicamente, a conclusão a que chegou o jurista Roque de Brito Alves, em palestra pronunciada na Academia Pernambucana de Letras, semana passada, sobre a Tragédia nas diversas manifestações teatrais, literárias e humanas.

Concluiu afirmando que é “o mundo do ódio, da inveja, do ciúme e da vingança de personagens desesperados e também infelizes, que afinal é mundo onde existe mais horror do que piedade, mais temor do que amor. Que é o próprio mundo da maldade humana” , cujo maior dano é provocado, sem dúvida, pela inveja, a  atiçar injustiças e danos morais cada vez maiores. Sendo que este último parêntese é meu, examinando o caráter moderno e contemporâneo.

Para chegar à conclusão, Roque examinou, ainda que levemente, as tragédias no teatro de Sófocles, Racine e Shakespeare, investigando o romance, que chamou de tragédias em prosa, destacando Zola, Dostoiévski e Flaubert, através de A Besta Humana. Madame Bovary e Crime e Castigo.

Jurista consagrado, Roque tem uma vida inteira dedicada não só ao Direito mas também – ou sobretudo – ao estudo do comportamento humano em suas diversas manifestações e a sua palestra pode ser encontrada em  plaquete intitulada: ‘A tragédia como gênero literário”. Por  isso tornou-se um dos nossos criminalistas mais destacados com uma história de êxitos nos tribunais brasileiros e internacionais.

Aliás, a Academia Pernambucana de Letras, desde a bela gestão de Fátima Quintas, tem promovido estes encontros exemplares, possibilitando aos acadêmicos ótimas manifestações de saber em cada área de atuação. Sem esquecer o trabalho histórico realizado por Mauro Mota, e agora pela desembargadora e também jurista Margarida Cantarelli, dinâmica e erudita, a destacar a importância e a seriedade da tradicional Academia, instalada na Avenida Rui Barbosa.

* Escritor e jornalista

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