Ações para ampliação do verde no Recife

Waldecy Fernandes Pinto
Arquiteto urbanista, secretário de Planejamento do Recife (1969/70 e 1975/79) e reitor da UFRPE (1983/1987).

Publicação: 18/01/2017 03:00

Na década de 1930/1940 foi organizada pela prefeitura, uma campanha de arborização dos logradouros do Recife, com a plantação de oitizeiros e fícus benjamim, espelhando até hoje o efeito positivo de embelezamento, em várias ruas e avenidas da cidade. Infelizmente esta arborização hoje existente, vem sofrendo bastante com a “podação” elaborada pela Celpe onde a prioridade é proteger a fiação, enquanto que, à árvore cabe o sofrimento causado pelos cortes realizados com poucos critérios técnicos, causando riscos de tombamento, aos pedestres e ao patrimônio particular (veículos e imóveis). Existe também o perigo de quedas, quando há uma chuva forte com rajadas de vento, algo tão comum no nosso inverno, causando um desequilíbrio do ecossistema. Ruas e mais ruas respondem bem pela beleza desta arborização, no entanto, nas grandes avenidas constata-se também a falta de árvores nos intervalos das existentes, principalmente, nos canteiros centrais, se destacando, inclusive, nas margens do canal Derby/Tacaruna (Av. Agamenon Magalhães) que tem ainda, condições e espaços suficientes para receberem mais exemplares. Ação simples, porém, de grande eficácia, seria dar continuidade com novo plantio, diminuindo os espaços entre as árvores, obedecendo aos parâmetros mínimos de afastamento entre elas determinado pelas normas de botânica. A escolha das espécies também fará parte da campanha. Isto posto, a equipe de paisagismo da prefeitura poderá estender estas ações para as praças e para todos os logradouros. As espécies de nossa flora tropical deverão ser exploradas mais didaticamente, pois a região é muito rica nas variedades do seu habitat. De custo baixo na implantação poder-se-ia também induzir os proprietários ou moradores dos imóveis a adoção da árvore da sua calçada, regando-as e protegendo-as se for necessário. São ações desta natureza que poderão ampliar o verde, tornando a nossa “urbe” mais atualizada em termos de conforto ambiental. Quantas e quantas ruas necessitam de arborização?  Outra ação que poderia ser eficiente é a relacionada com uma regularidade de requalificação, dos oitentas canais existente e dos outros rios, que embelezam o Recife como no caso, do Beberibe e do Tijipió, ambos assoreados e com as margens invadidas por palafitas. Desde 1935 que ações de melhoria desses rios e dos manguezais são notícias nos editoriais da mídia escrita recifense e as invasões continuam, desde então sendo ocupadas sem que a edilidade tenha condições de impedimento desta danosa e suicida prática. O fato também se espelha bastante relacionado com a falta de uma educação, contendo programas voltados para o amor da cidadania e o ensino profissionalizante, o que diminuiria o índice de desemprego, melhorando a oferta de uma mão de obra mais qualificada. Sem ações desta natureza nascem aí nestes redutos, espaciais de ocupações de forma subumana, as áreas perigosas e o desenvolvimento do uso e do tráfico de drogas. A violência está diretamente proporcional com a falta de prioridade da educação, com cidadania, ou seja, o despreparo das metas de governo com o educar para o trabalho. Não sabemos quando será resolvida, principalmente, no momento em que ocorre uma verdadeira distribuição, entre os corruptos das verbas do orçamento nacional e da Petrobras, dificultando o governo de honrar os seus compromissos com a aplicação dos recursos essenciais da nação brasileira com a saúde ,a educação e o bem-estar da sua população.

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