EDITORIAL » Combate ao surto de febre amarela

Publicação: 18/01/2017 03:00

As autoridades responsáveis pela saúde pública não podem baixar a guarda no combate ao surto de febre amarela detectado em Minas Gerais que ameaça se espalhar pelo país. A área de saúde pública do Espírito Santo, estado que faz divisa com a região mineira, onde mais de 20 mortes vêm sendo investigadas como casos prováveis de febre amarela (já com um primeiro exame positivo), está sobressaltada com o aparecimento de dois casos suspeitos. Também foi registrada a morte de cerca de 80 macacos em terras capixabas, o que deixa em alerta o governo estadual. Os animais são hospedeiros da doença, que é transmitida a humanos pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, no meio rural, e pelo Aedes aegypti, da dengue, nas cidades.

O grande desafio dos governantes e da comunidade médica é impedir a proliferação da febre amarela em áreas urbanas, o que seria verdadeiro desastre, haja vista a guerra que vem sendo perdida contra a dengue, a zika vírus e a chikungunya em todo o Brasil nos últimos anos. A forma urbana da febre amarela é mais agressiva por infectar um maior número de pessoas, o que eleva o percentual de letalidade, na comparação com a silvestre. Entre 1980 e 2004, 662 casos de febre amarela silvestre foram confirmados no país, com 339 óbitos, ou seja, uma taxa de letalidade de 51% no período.

Diante da alta letalidade da doença e da baixa imunização da população, o governo federal deve apressar a distribuição de vacinas aos estados afetados. O combate às mortes e à proliferação dos casos têm de ser prioridade, por meio da vacinação das populações vulneráveis em todas as regiões do país. Em Minas, onde o surto foi detectado este ano, mais de 750 mil doses de imunizantes foram enviadas para as regionais da Secretaria de Saúde de Teófilo Otoni, Coronel Fabriciano, Manhumirim e Governador Valadares, suficientes para um primeiro momento da campanha.

Se medidas concretas não forem adotadas urgentemente, o Brasil pode registrar o maior número de mortes por febre amarela. Normalmente, 10% dos casos são sintomáticos e a ocorrência de óbito é mais alta nesse grupo de pacientes, já que não existe tratamento-padrão e as intervenções médicas dependem da evolução de cada doente. Por isso, a taxa de mortalidade é bem maior do que a dengue e das outras enfermidades transmitidas pelo Aedes aegypti. Em uma semana, a febre amarela pode matar de 15% a 45% dos infectados, enquanto o índice da dengue é de 1% e da zika e da chikungunya menos do que isso.

A provável expansão da doença para o Espírito Santo e os casos de mortes de macacos no estado de São Paulo, além de um ser humano, em São José do Rio Preto, no ano passado, preocupam os especialistas. Um caso de febre amarela silvestre em um morador da região de Ribeirão Preto (SP) pode estar ligado ao surto existente em Minas. Diante da possibilidade de disseminação do vírus, infectologistas vêm defendendo a incorporação da vacina ao Programa Nacional de Imunizações, com a oferta às crianças de todo o Brasil, atitude que certamente protegerá a população de uma mais grave enfermidade.

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