Movimento regionalista é uma filosofia de vida

Raimundo Carrero
Escritor e jornalista

Publicação: 16/01/2017 03:00

Polêmico e incompreendido o Movimento Regionalista, criado por Gilberto Freyre em 1929, sempre esteve no centro dos debates mais acalorados sobre a cultura brasileira. Adversários ferrenhos, os denominados Modernistas paulistas e cariocas do mesmo período trataram de ironizá-lo e escarnecê-lo, a ponto de colocá-lo como sub-produto da literatura brasileira.

Sim, os livros escolares de hoje, geralmente escritos por sulistas e paulistas, colocam o Movimento Regionalista como influenciado pelos modernistas, de forma a tirar sua força e sua identidade. Até porque criaram grupos de resistência nas universidades e reduziram tudo a um tipo de posicionamento político de direita tradicional, conservadora e mesquinha.

A literatura brasileira viu, através do Regionalismo, o nascimento de escritores do porte de José Lins do Rego, Jorge Amado, Érico Veríssimo. Na imprensa, misturavam as coisas. Quando Graciliano Ramos visitava São Paulo era chamado de Gratuliano de Brito. Nas notas sociais, escrevia-se assim: “Encontra-se em São Paulo, o escritor alagoano Gratuliano de Brito”. Daí surgiram as brigas entre Oswald de Andrade e Graciliano, em artigos e notas de jornais. Vinicius de Moraes costumava chamar a literatura regionalista de “titica do Nordeste”.

Mas o movimento continua mobilizando a cultura brasileira, com seus desdobramentos e interpretações. Neste momento. A Fundação Joaquim Nabuco, sob a presidência de Luís Octávio Melo Cavalcanti, através da Editora Massangana, publica uma nova edição do manifesto Regionalista, também tema de debates e interpretações, em cujo debate se lê:

“É uma filosofia de vida e ligada à vida, a do Regionalismo do Recife. O professor Almir de Andrade, em síntese da obra de Gilberto Freyre diz que este escritor, “sem pretender fazer sistema” é autor de uma “filosofia social que se desprende espontânea e  naturalmente dos seus livros. Uma “nova interpretação do homem e de sua história, também reconhecida por Georges Bernanos, Roberto Caponigri, John dos Passos, Waldo Frank, Licien Febvre, Georg Gurvich e outros.”

Como se percebe é algo a merecer ainda estudos os mais variados e interdisciplinares. Com uma visão de mundo não inteiramente analisada por especialistas.

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