EDITORIAL » Abertura do mercado de grandes obras

Publicação: 16/01/2017 03:00

Não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe. O velho ditado popular vale para a recuperação da Petrobras, vítima de um dos maiores esquemas de corrupção da história recente do país, desarmado pela Operação Lava-Jato, que levou diretores, políticos e empreiteiros à prisão. No esforço de desenvolvimento de projeto e recuperação de obras e finanças da companhia, a direção retomará as obras da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, consideradas importantes para a cadeia produtiva do setor e para a reabertura de oportunidades no mercado de trabalho.

Apesar do revés provocado pelas falcatruas, a Petrobras ainda é a estatal com maior capacidade de investir no país, movimentar a mais expressiva cadeia produtiva, com impacto em diferentes segmentos da indústria, e alavancar a oferta de empregos diretos e indiretos. As perdas decorrentes dos escândalos de corrupção, nos últimos dois anos, lhe inibiram as atividades. Hoje, ante a urgência de superar a adversidade e se reerguer, a companhia optou pela participação de empresas estrangeiras para disputarem a licitação voltada ao reinício da construção da UPGN, que tem só 30% do projeto concluído.

A decisão aponta para caminho que poderá ser seguido por outras estatais a fim de imprimir qualidade e introduzir novas tecnologias de edificações no país, numa disputa que deverá reduzir custos e elevar benefícios. Reafirma a disposição do presidente Pedro Parente de profissionalizar a administração, levando em conta as regras dos mercados nacional e internacional, e primar pela transparência nos contratos com recursos públicos.

A iniciativa leva em conta as dificuldades de negociar com construtoras nacionais envolvidas, ou sob suspeita, na Operação Lava-Jato e em outras investigações da Polícia Federal e do Ministério Público da União. Buscar parceiros de fora é opção moderna, pautada pela necessidade de transparência, eficiência e combate à corrupção.

O modelo pode estimular as empresas locais a reverem padrões de serviço e conduta na relação com o poder público. Para competir, deverão se atualizar, adotar técnicas contemporâneas que impliquem melhor resultado com menor custo. A mudança aponta para novo paradigma, que inibe as tentativas de fraude, combinação de preços, formação de cartéis e outros artifícios típicos de esquemas criminosos.

A abertura do mercado de grandes obras públicas para empresas estrangeiras é bem-vinda. No rastro do Comperj, os vultosos investimentos governamentais destinados à modernização de portos, aeroportos, rodovias e outras construções voltadas à melhoria da infraestrutura poderão ser mais bem aplicados se competir for a tônica da licitação. A fiscalização, claro, deve ser rigorosa para não abrir brechas a eventuais irregularidades.

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