O poder da política monetária

Alexandre Rands Barros
Economista, PhD pela Universidade de Illinois, presidente da Datamétrica e do Diario de Pernambuco

Publicação: 14/01/2017 03:00

A redução recente da taxa de juros SELIC trouxe uma discussão sobre o poder da política monetária em reativar a economia brasileira. Alguns mais empolgados chegaram até a defender que seria possível tal redução levar a queda da inflação, além do esperado impacto na atividade econômica. Obviamente essa segunda visão prosperou apenas entre economistas heterodoxos, não convencendo aqueles que trabalham mais com números e rigor teórico. Mas a primeira ideia, de impacto relevante na retomada do crescimento do PIB, consegue respaldo entre bons economistas. Essa conclusão está incluída na maior parte das teorias econômicas hoje existentes e com alguma credibilidade. A questão é quanto a sua magnitude, o que define se apenas reduções na taxa de juros serão suficientes para impulsionar a retomada da economia.

A taxa de juros afeta a atividade econômica sim, mas o seu impacto está sujeito a três condicionantes. As expectativas de demanda futura para os bens e serviços das empresas e o fluxo futuro de renda das famílias, além da confiança (ou incertezas) quanto à confirmação dessas expectativas. Em momento em que as empresas não confiarem na demanda futura por seus bens e serviços, as famílias não confiarem que terão fluxo de renda futura e os bancos não acreditarem que as empresas e famílias vão melhorar sua rentabilidade ou capacidade de pagamento, a taxa de juros mais baixa deverá surtir pouco efeito na atividade econômica. Obviamente, algum impacto poderá acontecer por causa da maior competitividade externa a taxa de juros mais baixas e possivelmente até uma desvalorização cambial. As perspectivas de melhora no equilíbrio fiscal dos governos também podem gerar impacto positivo. Mas todos esses efeitos podem gerar uma resultante pequena.

Para que haja maior impacto e a economia brasileira volte a crescer, são necessárias medidas adicionais, como a redução do depósito compulsório e penalização de reservas excedentes dos bancos, inclusive restringindo-se o caminho que alguns têm tomado de emprestar a fundos de investimentos que aplicam também em títulos públicos obtendo a taxa Selic como remuneração e pagam aos bancos essa taxa. Essas medidas forçariam os bancos a injetar liquidez na economia e rapidamente melhorariam as expectativas dos demais agentes econômicos. Infelizmente, o Banco Central terá que ser menos influenciado pelos interesses dos bancos para que tais políticas sejam implementadas.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.