EDITORIAL » A ordem mundial

Publicação: 11/01/2017 03:00

O ano se inicia com muitas incertezas no cenário internacional, principalmente a partir do próximo dia 20, quando Donal Trump tomará posse como presidente dos Estados Unidos da América, a maior potência do planeta. Já durante a campanha eleitoral, Trump deixou o mundo sobressaltado com suas declarações, como a de que revogaria as ordens executivas do antecessor, o democrata Barack Obama, com reflexos em todo o mundo. A saída da Grã-Bretanha da comunidade europeia também é motivo de preocupação, bem como a política expansionista da Rússia, sob a liderança de Vladimir Putin, a histórica instabilidade no Oriente Médio e a incapacidade da Organização das Nações Unidas (ONU) de resolver os conflitos naquela região.

O que causa grande temor nos círculos internacionais é que a nova ordem mundial anunciada pelo presidente norte-americano George Bush, após a vitória na Guerra do Golfo, está se desmantelando. A ordem mundial surgida com o fim da Guerra Fria herdou os alicerces da Pax Americana, forjada pela Segunda Guerra Mundial, pilares que se solidificaramcom o desfecho da Guerra do Golfo. Hoje, esses pilares estão desabando, e nova ordem mundial se aproxima, mas continua sendo uma incógnita.

O primeiro pilar a desmoronar deuse com o ousado lance do presidente Putin em anexar a Crimeia, saída estratégica do “grande urso” para o Mar Mediterrâneo, que Moscou sempre considerou como território russo. Em seguida, organizou e financiou um levante separatista no leste da Ucrânia.

A movimentação do Kremlin jogou por terra o acordo tácito que garantia a inviolabilidade das fronteiras na Europa pós-Guerra Fria. O temor da comunidade internacional é que a Rússia possa também violar as fronteiras dos países bálticos, o que traria grande insegurança para as demais nações europeias.

Outro pilar ruiu com o contragolpe do presidente turco Recep Erdogran, que promoveu verdadeira caça às bruxas em seu país, ferindo profundamente os preceitos democráticos. Juntamente com a escalada do autoritarismo de Erdogran, a ascensão de governos nacionalistas na Polônia e na Hungria mostra que a democracia não é o destino final de todas as nações, como apregoa a política externa da potência hegemônica.

A saída da Grã-Bretanha da União Europeia destruiu mais um pilar, mostrando que o projeto supranacional deflagrado após a Segunda Guerra Mundial não é irreversível e o sonho de uma Europa unida pode cair por terra se houver reação em cadeia e outros países decidirem acompanhar o Brexit.

A União Europeia surgiu devido ao medo dos nacionalismos, como o de Hitler, e do expansionismo soviético.

Por fim, a ascensão de Donald Trump como chefe da mais poderosa nação da Terra traz grande preocupação pelo seu perfil, mistura de neonacionalismo, protecionismo e isolacionismo.

Se realmente ele colocar em prática as ideias esboçadas na campanha que o elegeu, os Estados Unidos renunciarão aos compromissos fundamentais com a ordem internacional, o que coloca o mundo em suspense com o futuro. Tudo isso, somado ao terrorismo internacional, torna bastante frágil o equilíbrio geopolítico mundial.

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