EDITORIAL » Combate urgente ao Aedes aegypti

Publicação: 10/01/2017 03:00

Há fatalidades que não se podem evitar. Em geral, relacionam-se a fenômenos da natureza. É o caso terremotos e tsunamis. Chuva não se enquadra no campo da imprevisibilidade. No Brasil, como o Natal, as fases da Lua e os movimentos da Terra, as águas do verão fazem parte do calendário. Com elas, vem o fantasma que assombra a população: o Aedes aegypti prolifera e espalha a dengue, a chicungunha, o zika vírus e a febre amarela urbana.

Até há pouco, responsabilizava-se o mosquito pela transmissão da dengue. Apesar da seriedade da doença, faltaram medidas efetivas e contínuas para não só reduzir os malefícios mas também prevenir eventos futuros. Providências pontuais, tomadas no calor da crise, funcionam como analgésico. Não atacam a causa. Na temporada seguinte, a tragédia se repete. Trata-se da crônica da morte anunciada.

No ano passado, descobriu-se que o Aedes aegypti responde por mais malefícios do que se imaginava. Entre eles, a microcefalia em bebês — malformação congênita fruto de contaminação durante a gravidez. Segundo dados do Ministério da Saúde, em pouco mais de um ano — de novembro de 2015 a dezembro de 2016 —, foram feitas nada menos de 2.289 notificações. Em 459 confirmou-se em laboratório a presença do vírus. Não só. Há 3.144 ocorrências em análise.

Vale lembrar que o verão apenas começou. Aliada ao calor, a estação acena com quadro sombrio. As vacinas ainda não apresentam a eficácia necessária. As inovações, como o mosquito transgênico, não se universalizaram no país. A alternativa é intensificar a ação dos mata-mosquitos e as campanhas educativas. Fiscalizar é importante, mas não suficiente. Impõe-se o engajamento da população.

Talvez em nenhuma outra oportunidade a responsabilidade de cada seja tão marcante. É impossível ter um fiscal para cada um dos milhões de brasileiros. Além de cuidar do próprio quintal, o cidadão precisa cuidar do quintal do vizinho, do quintal dos familiares, do quintal dos amigos. Convencê-lo da urgência de não manter água parada em casa e de denunciar poças existentes nas ruas ou terrenos baldios constitui tarefa árdua, mas indispensável.

A limpeza urbana deve pecar pelo rigor. Lixo é berçário ideal para o inseto transmissor de males que roubam vidas e comprometem o futuro. O Brasil tem experiência exitosa em campanhas educativas. A Organização Mundial de Saúde apresenta as ações do país como exemplo para a mundo. É hora de pôr o saber adquirido em ação. Prevenir é a ordem. 

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