EDITORIAL » Mudanças climáticas

Publicação: 06/01/2017 03:00

O governo brasileiro deve manter sua determinação em participar do esforço mundial no combate às mudanças climáticas, que a cada dia deixam os cientistas mais preocupados com o futuro do planeta.

O ano que acabou assistiu, praticamente ao mesmo tempo, à ratificação do Acordo de Paris - 197 países signatários se comprometeram a limitar a 2ºC o crescimento do aquecimento global até 2110, e se possível reduzir essa meta para 1,5ºC - e a eleição de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos, que em sua campanha eleitoral deixou claro que não pretende diminuir a dependência de seu país dos combustíveis fósseis, fonte maior na liberação de gases do efeito estufa, e que cancelaria a assinatura dos EUA nos acordos do clima.

O desafio que se coloca para a comunidade internacional é se a humanidade caminhará para uma economia verde, com o enfrentamento sistemático às fontes poluidoras, em todos os seus níveis, ou se escolherá continuar na trilha de uma economia predatória, sem qualquer preocupação com a sustentabilidade do planeta.

Neste contexto, o Brasil tem relevante papel, por ser um dos maiores emissores de gases do efeito estufa- os esforços terão que se concentrar na agropecuária, responsável por 69% das emissões no país - e por ter em seu território a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia.

Causa grande preocupação nos meios científicos o aumento da taxa de desmatamento na região amazônica, com crescimento de 3,5% nas emissões de gases de efeito estufa, de acordo com levantamento do Observatório do Clima.

Cientistas e ambientalistas cobram um envolvimento maior do governo federal nos esforços para mitigar os impactos das mudanças climáticas no país, nas mais diversas áreas. Não se trata apenas de controlar as emissões dos gases de efeito estufa, mas também de encarar questões como a redução das fontes de água potável, mais consumo de energia, maior risco de catástrofes naturais nas cidades.

Pelas estimativas dos especialistas, dentro de três anos, 90% da população brasileira viverá em conglomerados urbanos, e toda essa massa humana precisará de mais energia no seu dia a dia-hoje, 70% do consumo de energia se dá nas cidades, onde se produzem 40% das emissões dos gases de efeito estufa. Uma das preocupações da comunidade científica é que existem poucos inventários de gases de efeito estufa, da potabilidade da água e do consumo de energia, entre outros, o que dificulta o desenvolvimento de políticas consistentes para o enfrentamento das causas e consequências das mudanças climáticas que afetam todo o globo.

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