EDITORIAL » Os desafios no Dia Mundial do Braille

Publicação: 02/01/2017 03:00

O início de um novo ano é, culturalmente, momento de refazer planos e traçar metas pessoais. Incluir o cuidado com o outro em nosso rol de objetivos também pode ser uma maneira de começar 2017 de forma positiva. Depois de amanhã é comemorado o Dia Mundial do Braille. No Brasil, há 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, segundo o Censo 2010. Dessas, 582 mil são cegas e seis milhões têm baixa visão. Em outras palavras, são milhares de pessoas precisando de políticas públicas e ações cidadãs nas ruas e em ambientes coletivos, como unidades de ensino e espaços de trabalho e lazer.

O braille nasceu em 1825. Foi a primeira versão de um sistema de escrita e leitura baseado no tato, responsável por mudar a vida das pessoas cegas em todo o mundo. Apesar disso, o acesso ao braille ainda não é universal. Alguns exemplos país afora, no entanto, mostram que ações nesse sentido são possíveis e rendem bons frutos.

Uma grande loja de roupas nacional, por exemplo, inseriu etiquetas em braille em camisetas masculinas da coleção de final de ano. O material foi desenvolvido pela equipe da Fundação Dorina, a mesma que está com uma campanha de financiamento coletivo para a produção de oito mil calendários acessíveis, onde as informações estarão em braille e a impressão em fonte ampliada. Sem esquecer da Paralimpíada, quando a Tocha Paralímpica continha os valores dos jogos (coragem, determinação, inspiração e igualdade) em texto bilíngue (inglês e português) em braille.

Um outro exemplo de ação positiva direcionada a pessoas cegas ou com baixa visão é disponibilizar cardápios em versões acessíveis para garantir independência em restaurantes. Pode parecer simples, mas faz a diferença para essas pessoas, pois, somente assim, podem escolher suas refeições sozinhas, sem a necessidade de intermediários.

O Dia Mundial do Braille é apenas um mote para um convite muito maior a nós mesmos em 2017. Em tempos de violência e intolerância, onde mata-se o outro apenas por ele ser diferente, pensar e fazer mais pelo semehante, seja ele quem for, é como remédio para tornar a vida menos insana e mais humana. Temos, diante de nossos olhos, todos os dias, um leque repleto de uma diversidade de homens, mulheres e crianças que precisam de nossas mãos privilegiadas. São pessoas em situação de rua, idosos solitários, crianças disponíveis para adoção, doentes esquecidos em hospitais, pessoas encarceradas. Uma infinidade de provas vivas do quanto ainda precisamos fazer para garantir justiça e os direitos humanos de todos e todas.

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