Brasil e PE: Um balanço de 2016

Alexandre Rands *
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Publicação: 31/12/2016 03:00

Encerramos um ano sofrido. Nos últimos três anos o PIB per capita brasileiro encolheu 9,5%, algo poucas vezes atingidos na humanidade sem que haja guerras ou catástrofes. Mas aprendemos muito em 2016. Começando pela compreensão do nível de destruição que uma presidente incompetente, irresponsável e autoritária pode gerar. Segundo que os governos não podem resolver todos os problemas da sociedade ao mesmo tempo. Há recursos limitados e restrição orçamentária é algo sério, em todos os níveis de governo (isso nos levou à reforma da previdência). Escolhas têm que ser feitas e devem considerar a eficiência como um critério relevante de decisão (reformas da legislação que definem a exploração do pré-sal e PEC dos gastos decorrem desse aprendizado). Mais do que tudo, percebemos que o Brasil precisa de um pacto social que assegure que os agentes econômicos possam funcionar, com regras claras e equilibradas. Uma legislação trabalhista que queira transformar todo mundo em funcionário público e que trate trabalhadores como pobrezinhos explorados atrapalha a melhora de vida da maioria dos trabalhadores, beneficiando apenas uns poucos, que muitas vezes mostram ter pouca retidão de caráter. A proposta de reforma trabalhista decorre desse aprendizado. Entretanto, ela ainda foi muito tímida para a necessidade do país.

Em Pernambuco sofremos um pouco mais pelo apetite de crescimento que tivemos nos últimos anos. Com uma economia mais dependente do investimento, sofremos mais do que o resto do país ao vivenciar bem maior retração do investimento do que a do PIB, tanto em 2016 quanto em 2015. Aprendemos que responsabilidade fiscal é fundamental para evitar a desestruturação em momentos de crise aguda (evitou que PE se tornasse um RJ). Aprendemos que capacidade de gestão é importante nos líderes do executivo, mais do que de apenas criticar e por defeito nas ações dos outros (a eleição de Geraldo Júlio no Recife comprova esse aprendizado). Também deveríamos ter aprendido que crescimento dependente demais de novos empreendimentos de grandes empresas que operam em escala nacional, ou mesmo global, tem fragilidades. Precisamos ainda aprender a crescer mais a partir dos agentes internos e menos dependentes de “messias” externos, mesmo sabendo que esses grandes investimentos têm seu papel. A falta de consolidação desse último aprendizado talvez tenha levado a recessão um pouco maior do que a necessária no estado e ao contínuo tratamento dispensado por vários agentes sociais aos nossos empresários como se fossem malfeitores. Essa última lição, se rapidamente assimilada, poderá contribuir localmente para um alívio de nossa crise atual.

* Economista, PhD pela Universidade de Illinois, presidente da Datamétrica e do Diario de Pernambuco

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