CONTRADITóRIO » Como você avalia o Governo Paulo Câmara no ano de 2016? Negativamente

Sílvio Costa Filho *
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Publicação: 31/12/2016 03:00

Em 2016, as conquistas ficaram para trás

O ano de 2016 foi um dos mais turbulentos para Pernambuco nos últimos tempos, tanto no aspecto político, quanto no econômico e social. Fomos um dos estados que mais sentiram os efeitos da crise econômica, com retração de 6,7% do PIB, queda de 10,76% na massa salarial e taxa de desemprego de 15,3%. Os números, maiores que as médias nacional e do Nordeste, são apenas uma das preocupações da população.

Infelizmente, a sociedade pernambucana tem assistido suas principais conquistas ficarem para trás. Aumento da criminalidade, crise na saúde, obras paradas, crise ética e perda de relevância no cenário nacional são alguns dos temas que colocam hoje Pernambuco em uma situação que preocupa a todos nós.

Alguns programas que serviram de vitrine para o governo, hoje atestam a falência do modelo de gestão do Governo Paulo Câmara. O Pacto pela Vida é um deles, que em 2016 vai fechar seu terceiro ano consecutivo de crescimento na taxa de assassinatos. Desde 2009 não tínhamos mais de 4 mil assassinatos no estado, como já aconteceu este ano. A sensação de insegurança é ainda maior quando contabilizamos os assaltos a ônibus, violência contra a mulher, explosões de caixas eletrônicos e demais crimes contra o patrimônio, que levam a população a cada vez mais ter medo de sair às ruas.

Financeiramente, Pernambuco vai encerrar o ano com mais de R$ 1 bilhão de restos a pagar, o que significa já começar 2017 no vermelho, além do prejuízo que o não pagamento a fornecedores causa à economia e do aumento do desemprego. As contas de Pernambuco só não estão piores porque o estado contou com quase R$ 2 bilhões de recursos extras nos últimos dois anos, a exemplo da licitação da gestão da folha de pagamentos dos servidores, que rendeu R$ 740 milhões, e do aumento de impostos, que penaliza diretamente a população. Mas não dá para depender sempre de uma receita extra para fechar as contas. É preciso enxugar o tamanho do estado, gastar menos com o governo e mais com as pessoas.

Estados como o Paraná, que funciona com 18 secretarias, e o Rio Grande do Sul, que possui 15 pastas, são exemplos práticos de como se pode trabalhar com estruturas mais enxutas, apesar de terem populações bem maiores que a nossa. Pernambuco possui hoje 22 secretarias, mais de 2.600 cargos comissionados, além de outros gastos, como contratação de consultorias e assessoria especial, comprometendo a sua capacidade de investimento.

Enquanto isso, Pernambuco tem 911 obras paradas, segundo auditoria do Tribunal de Contas do Estado. Na lista, há projetos que a população ainda hoje aguarda como solução para mobilidade, a exemplo dos corredores do BRT, da Navegabilidade do Rio Capibaribe, Ramal da Copa e requalificação do trecho urbano da BR-101.

Além de canteiro de obras paradas, o estado virou também sinônimo de PPP falida, por causa do modelo adotado em Pernambuco, que difere do praticado em outras unidades da federação. A Arena Pernambuco é talvez o caso mais emblemático, levando todo ano mais de R$ 30 milhões das receitas do estado. Mas há outros exemplos, como o Centro Integrado de Ressocialização (CIR) de Itaquitinga e a PPP do Saneamento, que indicam a necessidade de o governo aprender a trabalhar com um modelo de contrato que tem ajudado tantos gestores públicos a realizar investimentos.

Esse é o retrato do Pernambuco de verdade, bem diferente do que o Governo do Estado apresenta na propaganda. Continuaremos a exercer o nosso direito de criticar, de sugerir e de contribuir com o estado e, apesar de todas essas dificuldades, acreditamos em um 2017 diferente, no futuro do nosso estado e no potencial da nossa gente.

* Líder da bancada de oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco

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