EDITORIAL » Nada de entregar o jogo: que venha 2017

Publicação: 31/12/2016 03:00

Há certos anos em que apenas a ideia de olhar para trás e ver os dias passados como numa tela de cinema faz perder o apetite. É o caso de 2016. A começar pela despedida de grandes nomes nas mais diversas áreas, personalidades que farão falta graças à contribuição dada ao mundo, seja fazendo pensar, rir ou viver melhor. Elas escreveram uma história que, de uma forma ou de outra, está ligada à rotina do cidadão comum, essa pessoa sobre os ombros da qual são postos os fardos mais pesados. Será sempre ele a pagar a cota mais alta de sacrifícios e paciência quando a política e a economia andarem pareceram carros sem freios, em rota de colisão; quando a natureza se zangar com desmandos e descasos praticados contra ela; quando a violência parecer um fenômeno fora de controle. Foi assim, em 2016. Um ano que a maioria deve lembrar sem a menor saudade, especialmente porque as marcas não se apagam, elas seguem como consequência.

O bom senso manda acreditar que não existe milagre, enquanto a razão aponta para o poder que as sociedades têm de reencontrar o caminho. Queremos crer que seja possível desenhar novas perspectivas, em 2017, até porque a convivência com a desesperança tem limite. Ela é corrosiva e funciona como elemento de estagnação. Vencê-la surge, então, como o maior desafio a ser enfrentado – e não apenas pelo Brasil. Os brasileiros, no entanto, sempre tiveram a seu favor uma dose de otimismo que não desaparece nem mesmo face a grandes turbulências. Aprendemos com os revezes da História a confiar, de algum modo, em que elas diminuem ou podem se transformar em novos e saudáveis desafios.

Além da busca por soluções, do empenho pessoal e coletivo para fazer de 2017 um ano menos sofrido, precisamos mesmo voltar a acreditar. A esperança será sempre o motor das mudanças essenciais, sem o qual qualquer caminho parecerá conduzir a parte alguma. Já vivemos períodos tão ou mais sombrios e nos descobrimos capazes de dar a volta por cima. Por que não, mais uma vez? Contra qualquer previsão ou prognóstico desanimador para o país, nunca deixará de existir a perspectiva de reação da sociedade, pois a ela, sobretudo, interessa voltar a viver em paz e em condições dignas. Portanto, a hora é de celebrar o fim de um ano duríssimo, que poderá não se repetir a depender do quanto estejamos dispostos a dar o melhor de nós. Vamos juntos. Obrigada a todos os leitores pelo prestígio, a companhia, e um feliz ano novo.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.