Natal e Ano: alegria e otimismo

Roberto Pereira *
robertop@elogica.com.br

Publicação: 29/12/2016 03:00

O Natal é mais do que uma festa. É o nosso reencontro com o Menino Deus, criança-síntese, símbolo da paz e da concórdia. Que este Natal seja aquela janela, através da qual venham até nós somente venturas para o ano que vai chegar!

Natal tem cheiro de criança, lembrança de presépio, presença de manjedoura, onde, há milênios, numa noite de brilho, nasceu, para o nosso júbilo, o Deus Menino.

Da mais suntuosa catedral ao mais humilde campanário, sinos, alegres, repicam a uma só vez, anunciando-nos a vinda do Messias prometido, corações e vozes uníssonas cantam as glórias do infante Rei, caminho, verdade e vida. Diante dos infortúnios da caminhada, se vendavais caírem sobre nós, em espírito, transportemo-nos à pequenina Belém de Judá, e lá, genuflexos, contemplando o Divino Infante, recostado nas palhas da simplicidade, encontremos o oceano inesgotável da verdadeira paz!

Seja, pois, este Natal, o prenúncio de um Ano Novo, durante o qual, todos, irmanados, continuemos na firme disposição de reconstruir o Homem e o Mundo.

Na humildade daquele estábulo, acampamento do amor e da solidariedade, envolto em palhas ressequidas, apenas amaciadas como o orvalho trazido pela doce brisa de uma noite imorredoura, num gesto acolhedor, ao lado de Maria e José, velado pelos pastores das cercanias, um menino-encanto acordava o mundo que, agasalhado no lençol da iniquidade, dormia o sono da indiferença.

Que este Natal nos dê a capacidade para, no Ano Novo esperado, servirmos de oásis acolhedor por entre tantos desertos da vida e da existência! Natal não é festa de um só dia, mas de todos os dias. Ele não termina no dia 25 de dezembro. Vai muito além. Tem rosto de eternidade, sabor de bem-aventurança. Não se limita ao tempo, transcende-o. Transcender, sim, fixar-se no efêmero do quotidiano, jamais! Eis, aqui, a pedagogia do Natal, ensinamento, cuja verdade seja o lume, o facho a nos guiar pelos 365 dias que nos aguardam. Ano Novo, alma nova despida dos disfarces onde se esconde a hipocrisia por entre sorrisos carregados das mais negras intenções.

Salve o Natal! Salve o Novo Ano! Salve-nos o Santo Menino Deus dos percalços em nossa caminhada por esse vale de lágrimas, das armadilhas, solertemente, preparadas, para nos tirar a alegria de viver, dos engodos oferecidos em troca da honra e dignidade pessoais.

Natal é tempo de lembrar que, apesar de tantos golpes vitimizadores, dirigidos contra a pessoa humana, das brutais injustiças sociais, das ruínas físico-morais, da covardia dos que, permanentemente, costuram o fracasso das pessoas de bem, ainda é possível a fraternidade. Sim, alegria, alegria, a fraternidade existe, animando-nos ao otimismo e à crença em dias melhores, mais humanos e mais amenos.

Por fim, cantemos, em uníssono, com alegria e otimismo, O Noite Feliz daquela feliz noite, amém!

* Ex-secretário de Educação e Cultura de Pernambuco

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.