EDITORIAL » Chikungunya: não podemos nos descuidar

Publicação: 29/12/2016 03:00

O ano que se aproxima vai começar exigindo cuidados para um problema que todos desejávamos que tivesse ficado no passado, mas não ficou: a chikungunya, enfermidade que em 2016 matou 159 pessoas, sendo 149 nos estados do Nordeste. As mortes registradas ocorreram em Pernambuco (54), Paraíba (32), Rio Grande do Norte (25), Ceará (21), Rio de Janeiro (9), Alagoas (6), Bahia (4), Maranhão (5), Piauí (1), Sergipe (1) e Brasília (1). Até 10 de dezembro foram notificados em todo o país 263.598 casos prováveis da doença.

O Ministério da Saúde acaba de lançar um novo guia para tratamento e diagnóstico da enfermidade. O documento permitirá identificar com mais precisão os casos de chikungunya, diferenciando-os de outros suspeitos e assim possibilitar o início imediato do tratamento correto. A doença tem sintomas parecidos com os da dengue, mas se diferencia pelas dores fortes nas articulações, que muitas vezes são acompanhadas por inchaços. Sua evolução ocorre em três fases, conforme explica o texto do guia: aguda (que dura até 10 dias), subaguda (até três meses) e crônica (quando passa dos três meses; é mais frequente em mulheres, com mais de 45 anos).

O guia é específico e didático - orienta sobre os cuidados com as mulheres grávidas, os exames necessários, os casos mais graves, os procedimentos de vigilância a serem adotados e a forma de tratamento. É a principal fonte de base de consulta para os profissionais de saúde que lidam com o problema no país. O primeiro foi lançado em 2015; o que acaba de ser lançado foi aprimorado a partir da experiência dos profissionais de saúde no combate à doença.

A partir de janeiro de 2017 o Ministério da Saúde realizará capacitação dos profissionais de saúde nos estados mais afetados, trabalho que terá a participação de especialistas internacionais. “Como chikungunya é uma doença nova”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros, “é fundamental esse aprimoramento das informações e, consequentemente, a capacitação dos profissionais para permitir uma assistência mais qualificada às pessoas que apresentarem consequências dessa infecção”.  Se é possível extrair algum otimismo da situação, ele reside, primeiro, no fato de que avançamos no conhecimento do diagnóstico e tratamento da doença. Segundo, na convicção de que não podemos nos descuidar no enfrentament o desse problema.

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