A medicina do futuro (próximo)

Filipe Tenório *
filipetln@androsrecife.com.br

Publicação: 28/12/2016 03:00

Na virada de um novo ano, muito nos perguntamos sobre os próximos 365 dias que estão por vir – Em que a humanidade vai evoluir? Conseguiremos a cura das doenças que mais afligem a população?. Mesmo sabendo que ainda não temos o poder da clarividência, é possível vislumbrar alguns avanços na medicina que logo serão realidade. E aproveito para refletir sobre a saúde masculina, mais especificamente sobre a infertilidade, que muito interessa a mim – como uro e andrologista que sou – e aos 15% da população do planeta que sofre com o problema.  

Segundo estudos mais atuais da Organização Mundial da Saúde (OMS) há cerca de 80 milhões de pessoas inférteis no mundo – 30% dos casos originados por fatores masculinos e os outros 20% associados a causas masculinas e femininas combinadas. Mesmo com essas estatísticas foi apenas a partir dos anos 1990 que estudos mais detalhados começaram a ser feitos para entender melhor a condição. A boa notícia é que, com tecnologias modernas de engenharia genética e uso de células-tronco, novas estratégias de diagnóstico e tratamento vêm sendo pesquisadas e desenvolvidas para ajudar a diminuir as incidências.

O futuro da saúde do homem já começa a se desenhar com a microcirurgia para o tratamento de varicoceles, a identificação de mais de três mil genes responsáveis pela formação dos espermatozoides e uma maior compreensão sobre o processo natural de produção dos mesmos.

Área de intensa pesquisa é também o uso de células-tronco. Elas têm a capacidade de se transformar em qualquer outro tipo de célula, desde que cultivadas em um ambiente propício. A partir desse cultivo, células bem semelhantes aos espermatozoides foram desenvolvidas em laboratório na China, porém, ainda não testadas em humanos. Em muito pouco tempo, será possível fabricá-los de fato, a partir de células-tronco do próprio paciente!

Outra saída para os homens com problemas de fertilidade tem sido congelar o sêmen para utilizá-lo quando desejar ter filhos. Isso bem se aplica quando o homem fértil passa, por exemplo, por tratamento de quimioterapia, quando tem a produção de espermatozoide afetada pelas fortes medicações. Sabendo dessa (real) possibilidade durante o tratamento de um câncer, o congelamento é a sua segurança de, futuramente, ser pai.

Quando o problema vem desde a infância, complica um tanto mais, já que a produção dos espermatozoides se inicia na puberdade. Para tais casos, estudos vêm tentando produzir espermatozoides a partir de fragmentos de testículo que foram extraídos previamente, possibilitando que esses meninos possam ter filhos normalmente um dia.

Acham que tudo isso aqui dito é mera futurologia? Certamente não. Nem é preciso ir muito longe: vários desses tratamentos estarão disponíveis nos próximos dez anos! O que nos resta é aguardar os sinais do tempo.

* Andrologista

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