CONTRADITóRIO » Você é a favor da Reforma do Ensino Médio proposta pelo MEC? SIM

Priscila Krause
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Publicação: 24/12/2016 03:00

Da sucessão de índices negativos acumulados pelo ensino médio no Brasil, salta aos olhos o rosto de um verdadeiro drama humano: cerca de um milhão de jovens entre 15 e 17 anos nem trabalham nem estudam. Numerosa legião de brasileiros deixada pelo meio do caminho por uma escola que não dialoga com o estudante e não oferece perspectiva de futuro para nossa juventude.

Como se não bastasse, as avaliações nacionais e internacionais mostram que nossos jovens sabem menos português e matemática, hoje, do que há 20 anos. Diante desse cenário, o que fazer? Continuar discutindo propostas de mudança, por mais 20 anos, ou apresentar à sociedade resposta objetiva e consistente para enfrentar o flagelo do ensino médio?

Para mim, só existe uma alternativa. A adotada, com coragem e ousadia, pelo ministro da Educação, Mendonça Filho, ao apresentar a MP da Reforma do Ensino Médio, tema urgente e relevante para o destino do país. Reforma, aliás, reclamada pela realidade nacional e que adota alguns padrões comuns às experiências internacionais.

Passado o furor inicial gerado por toda mudança, é cristalino que a proposta do novo ensino médio colocou a educação na pauta de debate dos brasileiros e ocupa o mesmo patamar de prioridade das reformas econômicas no Congresso Nacional. A MP já foi discutida exaustivamente na Comissão Mista de Educação e aprovada no plenário da Câmara dos Deputados. Agora, aguarda votação do Senado, o que deve ocorrer em fevereiro.

O novo ensino médio dará oportunidade ao jovem de aprofundar o aprendizado, permitindo escolher áreas de conhecimento de acordo com sua vocação, projeto de vida. Ou mesmo optar pela formação técnica para concluir essa etapa já preparado para o mundo do trabalho. Para os críticos da formação técnica vale lembrar que apenas 18% dos jovens que concluem o ensino médio acessam a universidade. Oitenta e dois por cento não acessam o ensino superior e a grande maioria para de estudar ao término do nível médio, passando a disputar o mercado de trabalho sem formação técnico-profissional, fator que os coloca numa flagrante desvantagem de acesso ao emprego, inclusive quanto ao valor da remuneração.

Não é à toa que a sociedade abraçou  a proposta do novo ensino médio. Pesquisa do Ibope, realizada em novembro, mostra que 72% aprovam a proposta e a formação técnica é um dos pontos mais bem avaliados. É mesmo uma pauta urgente do País.

O ministro da Educação, Mendonça Filho, teve a sensibilidade de entender esse drama humano escondido por trás dos dados estatísticos e apresentar, não apenas um novo marco legal, mas ações de estímulo ao novo ensino médio como a política de indução das escolas em tempo integral e à formação técnica com o MédioTec. Ao todo são investimentos de R$ 2,2 bilhões para a execução das duas ações nos próximos anos. A adesão dos estados à política de escolas em tempo integral foi um sucesso. Vinte e seis estados mais o Distrito Federal aderiram e já começam a implementar as escolas em 2017.

Proporcionalmente, o Brasil é um dos países que mais investe em educação. Em pouco mais de 12 anos, o orçamento da educação triplicou. Mas e a qualidade do ensino? Estagnamos nos resultados do Ideb e pioramos no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) – avaliação do ensino médio. O país investiu mais em educação de nível superior do que em educação básica. Isso revela uma inversão de prioridades que o ministro Mendonça ousa enfrentar. A principal mudança da Educação é o olhar sensível e comprometido com a educação básica para oferecer qualidade e perspectivas de um futuro melhor. É esse olhar que está proporcionando à nossa sociedade a maior reforma na educação que o Brasil já fez desde a Lei de Diretrizes e Base (LDB), há 20 anos. E neste sentido, nada é mais urgente e relevante para o futuro da juventude brasileira.

* Deputada estadual pelo Democratas

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