EDITORIAL » Sem esperança, não vamos a lugar algum

Publicação: 24/12/2016 03:00

O 24 de dezembro não é o melhor dia para tratar de dores e problemas cotidianos, mesmo os mais subjetivos, pois simboliza uma trégua que o dito mundo civilizado costuma respeitar. É a data em que todos tentam esquecer as dificuldades em um lugar pouco acessível, para trazer de volta uma palavra que se revela necessária em todos os dias do ano: esperança. Andamos, sim, meio divorciados dela, porque a situação política, sobretudo, segue desalentadora. Isto sem falar nos desafios da sobrevivência, impostos por uma realidade econômica para a qual não temos, ainda, um adjetivo exato. O que temos é apenas a certeza de que precisamos buscar as respostas adequadas e perspectivas de recuperação no menor espaço de tempo possível. Já vivemos épocas muito sombrias e todas foram vencidas por essa mesma busca, justamente porque ela caminha ao lado da esperança.

Em 2016, as más notícias vieram de todos os cantos, mostrando que problemas de grande complexidade existem em nível global, mesmo nos países mais modernos e socialmente organizados, o que, no entanto, não nos deixa menos apreensivos. Queremos fazer as pazes com a alegria, sim, porque, afinal, não se pode viver sem aquilo que sempre nos moveu. No entanto, é preciso agir. Independentemente do tipo de ideologia que a vida inteira inspirou o sociólogo Paulo Freire, ele estava coberto de razão:

“É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo...”

O 24 de dezembro não é, como já foi dito, dia de grandes reflexões, mas de grandes sentimentos, e o país deve aproveitá-lo como se fosse uma trégua para as lutas que estão por vir. Elas não serão poucas nem pequenas, evidentemente, mas se enfrentadas com esperança deixarão, paulatinamente, de ter status de pesadelo. Mais uma vez – e sempre – o placar deste ou de qualquer jogo dependerá de nós. Feliz Natal a todos.

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